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sexta-feira, 27 de maio de 2016

km42195 - a reta final


Depois de muito suor... chegou!

Neste fim-de-semana acontece a Maratona do Rio e a websérie km42195 está em sua reta final.




Agora é a melhor oportunidade para fazer (e de repente até de conhecer o termo) um binge-watching e ficar por dentro de tudo que rolou até o momento, antes da prova deste domingo, 29 de maio:



Semana que vem saem os dois últimos episódios abordando como foi a prova!

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Zangados e sem graça


Angry Birds é um game que, como tantos outros que viraram hits nos últimos tempos, só de assistir alguém jogando-o não dá pra entender seu sucesso. Mas, basta assumir o controle para, rapidamente, ser fisgado e se viciar.

A história por trás é bem simples: os pássaros estão bravos porque porcos verdes roubaram seus ovos. Como aquelas aves não voam, mas cada qual tem uma habilidade diferente, o jogador tem que lança-las usando um estilingue, buscando sempre a melhor estratégia para superar obstáculos e desafios que mudam a cada fase, a fim de derrotar os porcos e impedir que os ovos virem um banquete.

Angry Birds: o Filme, uma clara tentativa de ganhar mais dinheiro em cima da popularidade do joguinho (não bastassem os spin-offs, tie-ins, livros, desenhos, bonequinhos, guloseimas, lancheiras, etc), é basicamente esta mesmíssima premissa, esticada em um roteiro fraco e esquecível. O humor fácil e, recorrentemente, pastelão agrada os mais novos, enquanto as tentativas de servir também como uma opção para os pais fracassam, se apegando a pequenas referências óbvias e descontextualizadas e até desnecessárias piadinhas (nem sempre) sutis de cunho sexual e homossexual.


A animação é bem feita, mas, vindo de uma fonte onde tudo é jogado de um lado para o outro e coisas são derrubadas e destruídas, perde-se uma ótima oportunidade de usar bem o 3D. Em contraste ao empolgante e complexo universo criado pela Disney no recente Zootopia, o mundo de Angry Birds: o Filme, se resume a duas ilhas: a dos Pássaros, sem graça e pouco funcional; e a dos Porcos, confusa e ausente de apelo visual. Tudo parece não passar de um emaranhado de referências aos jogos, inseridas para agradar os fãs mais (e menos) atentos.

A trilha sonora de Heitor Pereira, aliás, peca pelo oposto. Como no ótimo trabalho feito por Michael Giacchino em Speed Racer, o compositor brasileiro poderia ter criado uma trilha marcante se tivesse investido em variações do divertido e já bastante conhecido tema musical do jogo. Porém, são poucos momentos que remetem a este material e o resultado é uma trilha genérica e, ironicamente, pouco original.

No fim das contas, Angry Birds: o Filme, funciona bem mesmo somente para aqueles que gostam de ficar assistindo o que uma outra pessoa está jogando. Até as crianças terão pouca vontade de repetir a dose.

Angry Birds: o Filme (The Angry Birds Movie), 2016




quinta-feira, 19 de maio de 2016

Filosofia na tosse


Vendo meu filho de quatro anos, quase cinco, com uma incômoda tosse antes de dormir, resolvi passar um pouquinho de Vick VapoRub em seu peito.

- O que é isso, papai?

- É Vick.

Apontando para seu pijama, perguntou:

- Igual esse "Vick" aqui???


***

Ainda houve um epílogo, duas manhãs depois:

- Ah, olha que bom! Acho que você está melhor.

- Mas, eu ainda estou tossindo...

- O importante é que durante a noite você não tossiu. A gente ouviu.

- Não... Se eu não tossi, vocês não ouviram.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

km42195 - a série


Chegou o momento de divulgar a websérie documental km42195.

São dez episódios acompanhando os treinos, os anseios, as conquistas, as intempéries, os conselheiros, as inspirações, enfim, os passos de um cara comum rumo ao seu limite: não somente disputar sua primeira maratona, mas também correr 42,195km pela primeira vez em sua vida.

Os capítulos estão sendo produzidos à medida em que os treinos dos decisivos 70 dias que antecedem a prova avançam e o desfecho da série ainda está por ser definido, quando a Maratona do Rio acontecer no próximo dia 29 de Maio. Até lá, semanalmente serão divulgados os curtos, acessíveis e inspiradores episódios deste pessoal, mas ao mesmo tempo abrangente, projeto.


Pode parecer que tenho orgulho de divulgar aqui no blog, e onde mais for necessário, porque fui creditado como um dos realizadores da produção (apesar de ter contribuído apenas com alguns palpites, ideias, dicas e incentivo). Mas, o orgulho verdadeiro é que o projeto como um todo (maratona e websérie) é fruto do suor (no figurado e no literal) do meu irmão, o tal cara comum que está rumo ao seu limite.




Não percam os próximos episódios...

domingo, 24 de abril de 2016

Sobre coelhos e raposas


Por um bom tempo, a Disney, como uma raposa velha, se dedicou a usar seu truque infalível - adaptar contos de fadas com animações. Seu maior sucesso recente, Frozen: Uma Aventura Congelante, também é assim, uma livre releitura de A Rainha do Gelo, de Hans Christian Andersen. Mas, eis que na selva de Hollywood surge um coelhinho fofinho e genial, cheio de ideias novas e originais, e começa a fazer sucesso com seus cenários "e se?". E se os brinquedos ganhassem vida quando as crianças não estivessem por perto? E se os monstros tivessem medo das crianças e precisassem dos seus sustos para sobreviver? E se...? Demorou um pouco, mas parece que a Disney Animation resolveu tentar beber da mesma fonte que sua prima Pixar.

Sem se desanimar com a recepção morna do "e se os personagens de videogames vivessem numa sociedade similar à das pessoas?", de Detona Ralph, os estúdios do Mickey lançaram Zootopia , um "e se os animais (ok, mamíferos basicamente) vivessem numa sociedade similar à das pessoas?". Mas, mais que pegar a "fórmula" da Pixar, a Disney também aprendeu algumas outras importantes lições com sua agora subsidiária.


Pra começar, a qualidade técnica da animação é de encher os olhos. Dos detalhes de cada personagem ao cuidado com todos os cenários, tudo impressiona nesta produção. A dinâmica da cidade, que comporta animais dos mais diversos habitats e estaturas, é curiosa e cativante por si só. A rápida sequência em que Judy Hopps e a plateia são apresentados a Zootopia poderia se prolongar por mais alguns minutos sem prejuízo algum ao ritmo da história. Mas, felizmente, os roteiristas encontram jeitos ainda melhores de continuar a apresentar novas facetas da cidade, de forma orgânica e divertida no decorrer da narrativa.

Aliás, a grande quantidade de profissionais envolvidos na criação do roteiro (sete ao todo), que usualmente é péssimo sinal (indícios de um desenvolvimento problemático), aqui nada mais é que outro sintoma da boa influência da Pixar: foram usados o tempo e recursos necessários para amadurecimento da história e dos personagens, sem apressar a produção para simplesmente se ter mais um produto dentro de determinada janela de exibição.

A jornada no filme inicia-se apontando para mais um típico "não desista dos seus sonhos", e assim também termina, com um discurso desnecessário e tolinho. Mas, ao menos Zootopia mostra que os sonhos são alcançados com esforço e trabalho duro e não com magia ou predestinação. Apesar de ser abertamente infantil, seus temas são bem corajosos, centrados principalmente em preconceito e discriminação, além de bullying, na escola, em agremiações ou no trabalho. O clima noir e as inúmeras piadinhas sutis são um charme à parte para entreter também os pais (o que dizer, por exemplo, da ovelha vestida com macacão laranja e máscara de gás num laboratório químico, no qual produz substâncias azuis enquanto espera seus parceiros 'Walter' e 'Jesse'?)

Zootopia é um sinal saudável dos tempos atuais da animação. Uma comprovação de que raposas podem aprender com coelhos, sem deixar suas qualidades de lado. E, mais importante, uma prova de que podem conviver pacificamente. Até a época da disputa pelo Oscar de Animação, pelo menos.


Zootopia - Essa Cidade é o Bicho (Zootopia), 2016




sábado, 16 de abril de 2016

Rua da amargura


Quem não gostou de Cloverfield: Monstro, o terror/ ficção científica em primeira pessoa que foi sucesso em 2008, pode ter desprezado o anúncio, apenas dois meses antes do seu lançamento, de que haveria um filme, também produzido por J.J. Abrams, intitulado Rua 10, Cloverfield. A grata surpresa, porém, foi seu primeiro trailer, que deixou claro que esta produção não era exatamente uma sequência da anterior e que, principalmente, não usava a mesma técnica de "filmagens encontradas", que causa mais náusea que tensão.

Rua 10, Cloverfield acaba sendo para quem não gostou de Cloverfield: Monstro, para quem gostou de Cloverfield: Monstro e para quem não assistiu a Cloverfield: Monstro. Mas, sobretudo, Rua 10, Cloverfield é para quem não sabe nada sobre o filme. Parte da magia é o espectador abraçar o desconhecido, assim segurando a mão da protagonista. (vale um alerta que os excelentes primeiros cartazes e trailer americanos foram sucedidos por péssimos e reveladores materiais da divulgação 'internacional')

Abrindo com um quê de Psicose (uma donzela em fuga, aparentemente mal planejada e certamente rumo a um destino pior que o atual) o longa também remete ao início de O Iluminado, com tomadas aéreas do veículo da personagem principal ao som de uma enervante (e brilhante) trilha sonora. Se isto tudo já não fosse suficiente para criar o clima correto, a forma como o letreiro inicial se apresenta beira o genial e consolida bem em que tipo de filme que o espectador está se aventurando.

O que não significa seja possível saber exatamente o que esperar. De uma forma muito hitchcockiana, o diretor estreante Dan Trachtenberg se aproveita de um roteiro inteligente e bem amarrado para criar uma tensão psicológica intimista, usando eficientemente o espaço confinado da maior parte da história sem cair na mesmice ou no repetitivo. Em um estado latente de terror, o público é continuamente apresentado a novos fatos e facetas e é levado constantemente a mudar de opinião sobre a trama que está desenrolando.


As atuações deste reduzido elenco são afiadíssimas, com personagens que não desandam pro erro comum de filmes de suspense, mas agem com humanidade e reagem de forma realista, e não somente porque o roteiro pede por algo que é necessário para criar a próxima cena. Mary Elizabeth Winstead dá todas as dimensões para Michelle ser identificável e querida pelo público, permitindo que este não só a conheça gradativamente, mas também conheça gradativamente tudo o mais junto com ela. E John Goodman dá um show, deixando seu Howard crível, num papel que poderia facilmente descambar pro caricato. Suas nuances e ambiguidades são a fonte de grande parte da tensão do filme e fica difícil definir se trata-se de um louco paranoico, um bem-intencionado mal-interpretado ou um mentiroso psicopata.

- Atenção: SPOILERS nos próximos parágrafos!

Provavelmente um pouco de cada.

Paranoia é o assunto mais óbvio da produção, mas os principais temas são abuso doméstico e cárcere privado, como nesses tristes casos que aparecem nos noticiários internacionais. De uma certa forma, é uma espécie de mistura de O Abrigo, O Quarto de Jack e... Guerra dos Mundos. Sim, o filme passa por uma aparente (e normalmente perigosa) abrupta mudança de gênero no seu ato final. Esta guinada, além de ser um prato cheio para os fãs de ficção científica, não deveria ser exatamente inesperada, levando em conta a expectativa que a inclusão do 'Cloverfield' no título da produção gera. Mas, mais do que isso, ela casa como metáfora para estes temas principais e serve perfeitamente para encerramento do arco da protagonista.

Assim como bem explorado em O Quarto de Jack (spoiler!), a nova vida fora do cárcere após um período de abuso não é nada fácil. No início até muito mais complicada que aquela deixada para trás. Muito tem que ser entendido, superado e readaptado - a vida antes da traumática experiência já não existe mais.

E a invasão alienígena possibilita o fechamento do arco de Michelle. A moça que foi apresentada fugindo e passou o filme inteiro tentando fugir, do abrigo e depois das ameaças na fazenda, nas cenas finais se vê no dilema de continuar fugindo ou de poder, por escolha própria, partir para um confronto. Sua decisão faz o espectador deixar o cinema com um sorriso no rosto, não somente por ter testemunhado a evolução da personagem, mas também porque ela propicia o encerramento da projeção com belíssimas imagens.

Que JJ Abrams continue descobrindo novas histórias para contar neste universo de Cloverfield e que Dan Trachtenberg consiga manter este alto nível em sua carreira.


Rua Cloverfield, 10 (10 Cloverfield Lane), 2016




quinta-feira, 14 de abril de 2016

Hollywood segundo os Coen


Os filmes de Ethan e Joel Coen são difíceis de agradar. Donos de um humor muito peculiar, e com uma tendência de criar situações inusitadas para personagens excêntricos que baseiam suas decisões e atitudes em uma lógica insólita, suas histórias são carregadas de inverossimilhança. Na maioria das vezes é difícil para o espectador ter empatia e criar conexões afetivas com o que é apresentado em tela.

Não é de se estranhar que, embora todos estes elementos típicos estejam presentes no seu filme mais recente, Ave, César! apresenta-se como uma das obras mais acessíveis da dupla de diretores/ roteiristas, possivelmente perdendo apenas para o roteiro de Ponte dos Espiões e para a refilmagem Bravura Indômita. Ajuda bastante o fato de abrirem mão do humor negro (talvez este seja o único filme dos irmãos sem uma morte sequer), das referências sexuais grosseiras (essa é pra você, Queime Depois de Ler) e da imersão exacerbada no politicamente incorreto (a religião, por exemplo, não passa sem ironia e alfinetadas, mas é tratada no contexto com inteligência e considerável respeito).

Mas, o que realmente cativa são outros aspectos.


Para começar, os Coen conseguem criar um protagonista relacionável. O longa acerta em estabelecer qual o seu papel naquele mundo, e a importância dele - ou pelo menos a importância que o próprio personagem dá a ele. Assim, seu conflito principal, sua relação com o trabalho que tanto gosta e sabe muito bem fazer e a possibilidade de mudar para um emprego mais estável,"seguro" e que o daria mais tempo com a família, é algo universal, de fácil assimilação. É estabelecido um arco palpável para o personagem principal.

Importante também é quão perto da realidade estão desta vez. Eddie Mannix realmente existiu, um gerente da MGM conhecido como "arranjador", pessoa que cuidava dos interesses do estúdio acerca de sua imagem (e da imagem de seus atores e funcionários) perante a opinião pública. E se os outros personagens são inventados, é fácil perceber que são inspirados em figuras carimbadas como Kirk Douglas, Charlton Heston, Gene Kelly, Esther Williams, Carmen Miranda e Vincente Minelli, só para citar alguns. Mesmo quando estas correlações não são identificáveis por nome, os tipos são bem reconhecíveis, como as colunistas de fofocas sobre celebridades ou os roteiristas da ameaça vermelha em Hollywood. Inclusive o próprio 'filme dentro do filme' remete a Cleópatra, Quo Vadis, Spartacus e, escancaradamente, Ben Hur.

Aliás, este pano de fundo não poderia ser mais atrativo para quem gosta de cinema. Ambientado na Hollywood dos anos 1950 e centrado nos bastidores de um estúdio fictício, o longa não é só repleto de referências a filmes, personalidades e situações de bastidores, como também não deixa de ser uma grande homenagem à era de ouro do cinema americano. Da fotografia do excelente Roger Deakins até a caracterização dos atores, passando por trilha sonora, cenografia e figurino, a produção tem o cuidado de emular também um filme da época. Tudo cheira a épicos, faroestes e musicais. Há espaço até para uma curta e divertida homenagem ao western spaghetti, de forma literal, e uma impagável sequência de dança, que é ao mesmo tempo atual (funciona perfeitamente bem nesta comédia de 2016) e nostálgica (parece ter sido cirurgicamente extraída de um musical de 1952).

Ave, Cesár! pode muito bem ser mais um filme dos irmãos Coen de pouco apelo para o grande público. Mas, não para quem é fã da sétima arte. Não há tempo para reclamar de coisas como "por que ele fala isso?", "por que ele age assim?" ou até mesmo "por que ele se move assim?" quando se está respirando cinema tão intensamente.


Ave, César! (Hail, Caesar!), 2016