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quinta-feira, 22 de junho de 2017

O monstro de dentro


Aviso: Colossal é um daqueles filmes digamos... diferentes e que não agrada a todos. Mas, a experiência de assisti-lo é mais rica quando se sabe o quanto menos sobre o mesmo. Nesta resenha não há spoilers específicos, mas ainda assim é recomendável não ler antes de ver o filme.

Nacho Vigalondo é o diretor-roteirista espanhol responsável por produções independentes como Crimes Temporais, que tem lugar cativo no concorridíssimo panteão dos filmes de viagem no tempo, e Extraterrestre, filme de 2011 que traz uma nova e intimista abordagem sobre invasão alienígena. Talvez por restrições orçamentárias, mas com extremo benefício para suas escolhas narrativas, estes temas grandiosos foram retratados com um escopo mais contido. Já com Colossal, seu segundo longa em língua inglesa, o cineasta mantém a tradição de dar uma nova roupagem a um gênero maior, podendo se aventurar mais com o aumento do escopo, mas sem perder o toque dramático e a meticulosidade no desenvolvimento dos personagens.

Anne Hathaway exercita seu talento ao viver Gloria, uma mulher com uma sucessão de fracassos e problemas, que precisa voltar para sua cidadezinha natal. Lá ela descobre um “poder”: ao entrar num local determinado em um horário específico, sua presença faz surgir um monstro gigantesco em Seul, Coréia do Sul, que repete seus movimentos em tempo real, naturalmente com consequências catastróficas.


Assim como a corrida nuclear, a ameaça química, a tensão comunista, os questionamentos éticos no avanço da genética e a degradação ambiental foram responsáveis (ou as metáforas) para a criação dos monstros cinematográficos em variadas épocas, aqui Vigalondo usa fantasmas bem atuais para a criação de seu(s) monstro(s): o ser humano e suas atitudes individualistas, a inveja, o bullying, a falta de empatia ou até mesmo a total indiferença para com o outro. O próprio ser humano é o responsável pela criação de um monstro em si ou no seu próximo. O ser humano intoxica seu próprio corpo, prejudica sua própria mente e contamina os que estão ao seu redor, sem se importar, sem se preocupar e, muitas vezes, sem sequer notar.

Outra nuance de destaque é como que Colossal também é uma grande manifestação, na sua forma peculiar, de outra temática em voga: o empoderamento feminino. Gloria é uma protagonista alcoólatra e cheia de falhas. Não é, portanto, um exemplo a se seguir, muito menos uma heroína. É possível que seja produto do meio, mas o roteiro se concentra em indicar, diretamente ou com sutilezas, como que todos os personagens masculinos principais à sua volta são tóxicos e prejudiciais à ela. O namorado falha miseravelmente em dar o apoio necessário e correto para a situação, o jovem com quem tem um caso nunca se prontifica a defendê-la, mesmo tendo plenas condições físicas para tal, e o amigo de infância, Oscar, bom... além do óbvio, seria um perfeito estudo de caso para professores de psicologia usarem em suas aulas sobre pessoas dominadoras e relacionamentos abusivos.

Com boas sacadas que acabam bem amarradas ao longo da projeção e deixam o espectador sempre às cegas com os rumos que a história vai tomar, Colossal funciona bem também como filme de gênero (e muito pouco como comédia, embora boa parte do material de marketing insista nisso). Não que esteja isenta de furos - há pontos básicos para implicar, como o fato de não parecer nada plausível que as autoridades sul-coreanas não evacuem e isolem a área da cidade em que o monstro sempre aparece. Mas, a preocupação do longa nunca foi mesmo com o desenvolvimento da mitologia, nem com a explicação da ‘lógica’ criada.

Colossal é um filme de monstro às avessas. Menos foco na destruição, mais espaço pros dramas pessoais. Mais implícito na ação, mais explícito nas metáforas.


Colossal (Colossal), 2017




terça-feira, 6 de junho de 2017

Devo, não nego...


Por uns motivos e outros, assistir filmes ou séries foi algo quase ausente na minha agenda no último mês. Entre aliens, guardiões da galáxia, planos reais, piratas do caribe, cidades perdidas e mulheres maravilhas, tenho perdido quase tudo no cinema. Então, foi hora de refletir se isto é um problema pontual e atual, ou se é algo já sintomático.

Baseado nas minhas listinhas anuais de "filmes mais esperados", parece que não é de hoje que venho falhando comigo mesmo. Tem filme que considerei como prioridade assistir no ano seguinte e que acabei passando longe. Tem até números '2' e '3' das listas!

Vejam bem, muitas vezes há sequer uma sinopse oficial dos filmes quando monto a lista no fim do ano anterior. Daí, quando começam a sair os trailers e as primeiras impressões de público e crítica de alguns, bate aquele desânimo. Tem uns que ainda quero ver, mas a grande maioria vai ficar pro dia de São Nunca mesmo.

O que 'furei' ao longo dos anos:

2009
02. O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus
07. Jean Charles
Da lista "correram por fora": Os Fantasmas de Scrooge; O Lobisomem


2010
07. As Viagens de Gulliver
Da lista "correram por fora": Fúria de Titãs; Os Mercenários


2011
05. Gato de Botas
08. Assalto ao Banco Central
10. Os Três Mosqueteiros
Da lista "correram por fora": O Número Quatro; Lanterna Verde


2012
03. O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
06. A Viagem
Da lista "correram por fora", todos(!): O Espetacular Homem-Aranha; Guerra Mundial Z; Sombras da Noite; O Corvo; Valente


2013
08. Se puder... Dirija!
Da lista "correram por fora": Jack, o Caçador de Gigantes; Uma História de Amor e Fúria; O Cavaleiro Solitário; Círculo de Fogo; O Hobbit: A Desolação de Smaug


2014
03. O Destino de Júpiter
05. Noé e Êxodo: Deuses e Reis
09. Real Beleza
10. Grandes Olhos e Pelé: O Nascimento de uma Lenda
Da lista "correram por fora": Um Conto do Destino; Planeta dos Macacos: O Confronto; As Tartarugas Ninja


2015
03. Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível
05. Mortdecai: A Arte da Trapaça
08. O Coração do Mar
09. Pixels
10. Vingadores: Era de Ultron e O Exterminador do Futuro: Gênesis e 007 Contra Spectre


2016
02. Silêncio
03. Assassin's Creed
05. Inferno
06. O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares
08. Esquadrão Suicida
09. Ben-Hur



Vamos monitorar 2017, mas parece que dá pra deduzir que não tenho respeito pelos filmes nacionais e que perdi a sintonia com Tim Burton e as Wachowski.

Agora, tem coisa aí que só me faz pensar: onde é que eu estava com a cabeça??? Nessas horas (e em outras também, mas OK) que é bom não ser um Lannister.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Olááá enfermeira!


E a notícia que está rolando nos sites especializados hoje não poderia ser melhor: a Amblin Television e a Warner Bros. Animation estão trazendo de volta a melhor série animada de todos os tempos: Animaniacs!


Diz logo onde e quando!!!

Enquanto isso, vamos cantando:


quinta-feira, 25 de maio de 2017

Na pele do outro


As chamadas de TV de Corra!, poucos dias antes de sua estreia nos cinemas brasileiros, citavam em letras garrafais comentários de alguns críticos: "ASSUSTADOR" e "DIFERENTE DE TUDO O QUE VOCÊ JÁ VIU". Vendida como um filme de terror, a produção teria se beneficiado mais se não tivesse sido rotulada como tal, pois pegaria a plateia de surpresa já que é de fato assustadora e diferente do basicão que existe por aí. Mas, não pelos motivos óbvios.

Se não fosse pela cena de abertura (que já chega fugindo de um dos arquétipos do gênero), o espectador ficaria se perguntando que tipo de filme é aquele até bem além de sua metade, quando assume situações mais comuns ao terror (mesmo mantendo-se firme no propósito de se desviar de clichês). O que não significa que ele só fica assustador e diferente no terceiro ato. Pelo contrário.


Acompanhando de perto Chris, um fotógrafo afro-americano interpretado por Daniel Kaluuya (o ponto forte do pior "menos melhor" episódio de Black Mirror), em sua primeira visita à família da namorada branca, o filme transpõe com maestria o sentimento de inquietude e de toda a tensão inter-racial gerada pelo encontro. Não há ameaça, violência per se, mas um grande subentendido no contexto do esforço de pessoas que tentam se portar como não racistas, mas que acabam sendo. Os comportamentos dos personagens, sustentados por ótimas atuações, dão um tom incessante de, nas palavras do próprio Chris, "what the f**k?". Claro, descobre-se mais tarde em uma virada bem amarrada e cheia de simbolismo, sintonizado com o tema principal, há um outro motivo por aquele comportamento todo.

O diretor estreante Jordan Peele conduz a produção de baixo custo com determinação e competência e, fazendo jus à sua experiência como ator e escritor de comédia, encontra um adequado espaço para alívio cômico, personificado no amigo Rod, o Agente de Segurança do Transporte. Seu roteiro constantemente mexe com as expectativas e, talvez justamente por isto, pode não agradar a todos. Com um material que facilmente cativa a empatia do espectador e o deixa na pele (vejam bem!) do protagonista, é compreensível que parte do público queira gritar o "meta-título" do filme não para a tela, mas para si.


Corra! (Get Out), 2017




sábado, 20 de maio de 2017

Cante

(na melodia da música-chiclete mais tocada nos últimos meses - Trem Bala, de Ana Vilela)




Não é que o filme seja de todo ruim assim
É sobre perceber que existe similar, muito melhor por aí
Zootopia, por exemplo, se esforçou muito além do trabalho de voz
E criou detalhes de um mundo impressionante pra qualquer um de nós

É mesmo um pouco esquisito
Com um enredo tão simples e batido, sem nada pra pensar
Sequer existe uma cena
Que seja composta para nos edificar

Não é que todo filme infantil tenha que ter no fim uma moral
Mas não pega bem quando quase todo personagem faz algo ilegal
E se disfarça de musical só porque conta com várias canções
Mas só tem uma original no meio de várias versões

É irônico que sem música, contudo
Não tem graça nada na história se fosse assim
Por isso traria mais sorrisos
Se a cena dos testes com os bichos fosse esticada até o fim

Não é que a duração mostre brecha para aumentar
Pelo contrário, é longo a ponto de quase  arrastar
Ainda bem que acertaram na escolha dos dubladores originais
Fica a dica: se poupe da espera, não há cena após os créditos finais

Deixe o cérebro de fora
Sorria e abrace a jornada já que está ali
Esse é Sing: Quem Canta Seus Males Espanta
E a gente é só espectador querendo se divertir


Sing: Quem Canta Seus Males Espanta (Sing), 2016




quinta-feira, 11 de maio de 2017

More ana


Muito depois da temporada de premiações, que é quando eu queria ter feito isto, consegui finalmente assistir Moana: Um Mar de Aventuras.



Trata-se de uma animação sobre uma princesa Disney com personalidade forte, que não dá muita bola pras questões de realeza.

Ela tem a vontade de sair pra explorar outros lugares, pois sente que há muito mais que sua comunidade proporciona.

Mas, seu pai impõe limites territoriais, pois, por um trauma pessoal passado, sente que precisa protegê-la.

O mundo ali é um em que os elementos da natureza são manifestados em entidades.

Até que um dia a água toma forma e o oceano passa a se comunicar com ela.

E ela descobre que será peça-chave em uma missão especial, que pode salvar o mundo de um fenômeno que está destruindo as plantações.

Uma pedra rara que tem a ver com coração, oceano, ou algo assim, faz parte dessa trama.

Ela sai para encontrar um semi Deus.

Apesar da resistência dele, e de inicialmente ser na prática um vilão, eles têm que trabalhar juntos.

Sempre por perto está o bichinho zolhudo, alívio cômico do filme.

Na jornada, são perseguidos por uma tribo insana em máquinas malucas...

...e precisam enfrentar uma criatura gigante para recuperar uma arma que está fincada na sua cabeça.

É revelado que o herói tem poder de se transformar em qualquer bicho.

E no desafio final encaram um verdadeiro demônio em chamas.

Aí, Moana quebra o encanto maligno, surge a Mãe Natureza e todos vivem felizes para sempre.

Brincadeiras à parte, mesmo parecendo uma mistura de várias ideias pontuais já exploradas antes, o longa-metragem consegue criar um conjunto original e interessante, primoroso tecnicamente (provavelmente o elemento água nunca foi tão bem desenvolvido assim em outra animação antes), comprovando que a Disney continua bem à frente da concorrência.


Moana: Um Mar de Aventuras (Moana), 2016




segunda-feira, 8 de maio de 2017

km42195 - episódio bônus



Fora da telinha, o projeto km42195 teve vários desdobramentos. Outra maratona, meias maratonas, um short triathlon, provas de rua, desafios, treinos, um instagram bacana e sei lá mais quê.

Infelizmente, só uma prova teve registro em câmera. E, por esses dias, praticamente um ano depois, a Meia Maratona Internacional de BH finalmente ganhou um pequeno vídeo para o acervo do canal YouTube km42195. Na prova que percorreu a Lagoa da Pampulha, passando por dentro do Zoológico de BH, em junho de 2016, Matheus teve a oportunidade de ser o guia do atleta Totonho.

Pra conferir:




Aliás, só agora também que oficialmente a vinheta do Padecin foi utilizada com sua trilha sonora oficial pela primeira vez.