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terça-feira, 21 de abril de 2015

The Vi...


Saiu o primeiro poster do próximo filme do M. Night Shyamalan:


Lembra bastante o de um outro filme do diretor, de 11 anos atrás:


Eu ainda continuo um dos cinco caras no mundo que ainda gosta de Shyamalan e que sabe soletrar seu nome sem parar para pensar.

Que venha a visita.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Defenestrais-vos, ó hermeneutas!


Nunca se é velho demais para aprender coisas novas.

Essa semana estive num diálogo que terminou assim:

- E você falou isso com mais alguém???
- Não, só com você. Porque você é mais fácil de defenestrar.
- Opa, opa! Quê isso??? Não sou facinho assim, não, viu?

O que mais me surpreendeu não foi o fato de eu não conhecer esta fascinante palavra, porque tenho plena consciência das minhas limitações. O que me deixou realmente admirado foi saber, de outra fonte, que esta palavra já havia sido popularizada, e eternizada, em uma crônica do excelente Luis Fernando Verissimo, lá no ano de 1981:

"
Certas palavras têm o significado errado. “Falácia”, por exem­plo, devia ser o nome de alguma coisa vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as suas variedades. A Falácia Amazôni­ca. A misteriosa Falácia Negra.
“Hermeneuta” deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Aonde eles chegassem, tudo se complicaria.
- Os hermeneutas estão chegando!
- Ih, agora é que ninguém vai entender mais nada...
Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as ati­vidades produtivas com seus enigmas e frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até que as coisas recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.
- Alô...
- O que é que você quer dizer com isso?
“Traquinagem” devia ser uma peça mecânica.
- Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.
“Plúmbeo” devia ser o barulho que um corpo faz ao cair na água.
Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto “defenestração”.
A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas pessoas. Tinha até um certo tom lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das mulheres:
- Defenestras?
A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas... Ah, algumas defenestravam.
Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa. Haveria, assim, defenestradores profissionais.
Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais?
"Nestes termos, pede defenestração..."
Era uma palavra cheia de implicações. Devo até tê-la usado uma ou outra vez, como em:
- Aquele é um defenestrado.
Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada, era a palavra exata.
Um dia, finalmente, procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir. "Defenestração" vem do francês "defenestration". Substantivo feminino. Ato de atirar alguém ou algo pela janela.
Ato de atirar alguém ou algo pela janela!
Acabou a minha ignorância, mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal, não existe, que eu saiba, nenhuma palavra para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?
Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como o rapé. Um vício como o tabagismo ou as drogas, suprimido a tempo.
- Les defenestrations. Devem ser proibidas.
- Sim; monsieur le Ministre.
- São um escândalo nacional. Ainda mais agora, com os novos prédios.
- Sim, monsieur le Ministre.
- Com prédios de três, quatro andares, ainda era admissível.
Até divertido. Mas daí para cima vira crime. Todas as janelas do quarto andar para cima devem ter um cartaz: "Interdit de defenestrer". Os transgressores serão multados. Os reincidentes serão presos.
Na Bastilha, o Marquês de Sade deve ter convivido com notórios “defenestreurs”. E a compulsão, mesmo suprimida, talvez ainda persista no homem, como persiste na sua linguagem. O mundo pode estar cheio de defenestradores latentes.
- É esta estranha vontade de atirar alguém ou algo pela janela, doutor...
- Hmm. O “impulsus defenestrex” de que nos fala Freud. Algo a ver com a mãe. Nada com o que se preocupar - diz o analista, afastando-se da janela.
Quem entre nós nunca sentiu a compulsão de atirar alguém ou algo pela janela? A basculante foi inventada para desencorajar a defenestração. Toda a arquitetura moderna, com suas paredes externas de vidro reforçado e sem aberturas, pode ser uma reação inconsciente a esta volúpia humana, nunca totalmente dominada.
Na lua-de-mel, numa suíte matrimonial no 172 andar.
- Querida...
- Mmmm?
- Há uma coisa que eu preciso lhe dizer...
- Fala, amor.
- Sou um defenestrador.
E a noiva, em sua inocência, caminha para a cama:
- Estou pronta para experimentar tudo com você. Tudo!
Uma multidão cerca o homem que acaba de cair na calçada. Entre gemidos, ele aponta para cima e balbucia:
- Fui defenestrado...
Alguém comenta:
- Coitado. E depois ainda atiraram ele pela janela!
Agora mesmo me deu uma estranha compulsão de arrancar o papel da máquina, amassá-lo e defenestrar esta crônica. Se ela sair é porque resisti!
"

Agora aguardo ansiosamente a oportunidade certa para aplicar esta palavra.


Num texto daqui do blog, claro.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Melhor emprego


Alguns anos atrás rolou uma competição internacional para preencher a vaga de "melhor emprego do mundo". Era basicamente pra virador zelador de uma ilha australiana, tomando conta de cangurus e nadando perto de águas-vivas venenosas.

Pffff...

Este, sim, é o melhor emprego do mundo: https://jobs.netflix.com/#/jobs/NFX02152/apply


Nada contra o que faço hoje da vida, mas não consigo imaginar forma melhor de tirar sustento que ficar vendo filmes e séries o dia inteiro.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Hanks revisitado


O cara é bom, mesmo. Muito bom. E divertido:


(OK, não é exatamente "todos os filmes do Tom Hanks em 7 minutos", mas ninguém precisa lembrar de coisas como Matadores de Velhinhas ou Jogos do Poder, certo?)

domingo, 15 de março de 2015

Amarelo é a cor mais quente (ou 50 tons de amarelo)


"E o cara vai protestar contra a corrupção usando camisa da CBF."

No auge do desespero para tentar encontrar formas de criticar e descreditar as manifestações deste 15 de Março, os pró-Governo estão se apegando a criar ou a valorizar coisas absurdas: são inúmeras faixas a favor de regime militar, tem gente usando a suástica, a PM está inflando o número de participantes, não tem ninguém do povão lá - inclusive teve um manifestante que ficou o tempo todo dentro da sua Hilux, só buzinando, pra não sair do ar-condicionado e enfrentar o calor lá fora.

Outra coisa que ouvi/ li é a frase que abriu este texto, que mira na ironia (pra não dizer hipocrisia) de se reclamar de corrupção usando o brasão de uma instituição sabidamente corrupta. Neste caso, tenho que concordar. É lamentável que muitos, mas muitos (inclusive eu) tenham ido pra rua usando a camisa da seleção brasileira de futebol.

É lamentável mas, francamente, aceitável se for para combater um mal muito maior. Aceitável e explicável.

Não sou nada ligado em moda, mas, desde que me entendo por gente, tenho a nítida impressão que só vejo pessoas usando amarelo em dias de jogo de Copa do Mundo, quando, por uma visibilidade positiva no resto do mundo, o brasileiro se apega a seus atletas, desassociando-os da instituição pela qual são sustentados. Portanto, nada mais natural que no meu armário, assim como de muitos, exista apenas uma camisa amarela: a da seleção. O que, de fato, é lamentável é que deixemos para exercer nosso patriotismo apenas pelo futebol. Nem mesmo por outros esportes isto acontece.

A verdade é que o brasileiro sempre teve vergonha do Brasil. Sempre confundindo Governo com País, nós, com vergonha genuína e fundamentada de nossos políticos, sempre evitamos trajar o amarelo ou sair com adornos e roupas que enaltecessem a bandeira brasileira.


Mas, parece que chegou a hora em que aprendemos a separar o País do Governo. Chegou a hora de brigar mais por um, contra o outro.

Estamos trazendo o amarelo, o verde, o azul e o branco para os protestos, que em épocas passadas eram exclusivos do vermelho do PT, PCdoB, CUT, MST... Quem foi à Praça da Liberdade hoje viu um show de civismo com civilidade, sem bandeiras de partidos ou de movimentos mafiosos. Passamos a ter coragem de usar o amarelo nas ruas com um propósito diferente do futebol, mesmo que ainda não tenhamos renovado nossos guarda-roupas.

Sonho com um dia em que será comum, como em tantos outros países mundo afora, as pessoas usarem roupas alusivas à bandeira nacional e passarem a deixá-la exposta em janelas e quintais. Com orgulho do Brasil. País e Governo.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Diretores Assassinos


E eu tinha certeza absoluta que Quentin Tarantino, Sam Peckinpah e Oliver Stone eram mais violentos que o Spielberg...


PS.: O que se ganha em matar Orcs, Elfos, Hobbits e Anões indiscriminadamente? O topo do ranking.

domingo, 8 de março de 2015

Melhor chamar só o Saul?


Breaking Bad foi um fenômeno cultural. Conquistou o público e arrebatou a crítica, tendo suas qualidades técnicas sido comparadas às de grandes produções para o cinema.

E eu sou o cara que não viu a série. Mesmo com inúmeras recomendações (pra não dizer intimações) para assisti-la, perdi o momento. A partir daí, meu status de fã de cinema ficou em cheque.

Aparentemente, a AMC e o Vince Gilligan me deram uma segunda chance e criaram um spin-off de sua elogiada criação: Better Call Saul. Focado nas origens de um personagem secundário, mas -me disseram- não menos interessante, a série alegadamente se passaria antes, durante e depois de eventos retratados em Breaking Bad.

Decidi então dar uma chance a esse universo, e me dar a oportunidade de fazer parte de alguma nova discussão cultural que possa se instalar, e assistir à nova série sob uma perspectiva desafiadora para seus criadores: será que ela funciona bem para alguém que, por exemplo, só conhece Walter White de fama e Jesse Pinkman de nome?

No momento estou na metade da primeira temporada, no quinto de dez episódios. Por enquanto, a resposta é sim.

O primeiro ato do episódio piloto tem uma dose de humor negro bem acima da que consegue me agradar, e que, se mantida, seria um dificultador para criar alguma afeição com a produção. Mas, felizmente o humor negro volta bem mais brando, mesmo que recorrente, nos episódios seguintes.


O grande trunfo aqui é o desenvolvimento de um personagem agridoce, ambíguo e divertido. Um advogado inteligente, mas que não deixa de fazer bobagens homéricas, e que mesmo arquitetando golpes e trambiques, ainda tem um senso moral nato, tentando racionalizar seus atos para se convencer de que faz a coisa certa. Interpretado com ora com sutileza, ora com excentricidade, sempre na medida de certa, por Bob Odenkirk, o personagem-título (ou quase lá) até agora prova que faz jus à uma série dedicada à ele.

Sinceramente não sei aonde a saga de Jimmy McGill vai dar (leia-se: não sei quem de fato é Saul Goodman), mas por enquanto a jornada está suficientemente cativante.