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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Música de Vinheta - Enquete


Aproveitando que a Marvel lançou sua vinheta de cinema com o novo tema composto pelo talentoso Michael Giacchino, resolvi fazer algo que deveria ter feito já há um tempo...

Quem acompanhou a web-série km42195 percebeu que ali aconteceu a estreia da vinheta do Padecin. (quem não acompanhou, não percebeu e perdeu... mas, tá em tempo ainda) Ela acabou aparecendo sob a música dos próprios créditos finais, pois seu tema ainda estava sendo composto, pelo também talentoso Dlaivison Ribamares Silva.

Só que meu amigo Dlaivison me deixou com um problemão na mão. Em plena produção da fase final da série ele me entregou não só um tema bacana, mas quatro para eu escolher. Como a decisão é muito difícil e a responsabilidade é descomunal, peço a vocês ajuda para definir qual será a música da vinheta do Padecin de agora pra frente.

Ouçam com atenção (e de preferência com fone de ouvido):

Opção 1:

Opção 2:

Opção 3:

Opção 4:


Agora votem na enquete na barra direita do blog ou deixem suas opiniões por comentários e/ou e-mail.


quinta-feira, 21 de julho de 2016

Nada especial


Existem filmes que apenas existem. Daqueles que, depois de consumidos, fica somente a sensação de bom ou ruim, de se agradou ou não, e que rapidamente são esquecidos ou colocados mentalmente em segundo plano. E existem também os filmes que fazem pensar. Seja por conta de conteúdo, técnica, estética, formato, primor artístico... enfim, uma infinidade de fatores, essas produções permanecem nos pensamentos - e nas discussões - dos espectadores por horas, dias, meses, anos após a projeção. E nesta categoria há o filme que quanto mais se pensa mais se descobre a beleza e/ ou a profundidade do mesmo e há o filme que quanto mais se pensa mais vêm à tona seus furos, seus defeitos, sua superficialidade.

Curiosamente, o diretor-roteirista indie Jeff Nichols realizou três produções depois de seu longa de estreia, cada uma delas se encaixando em uma dessas categorias. O Abrigo, de 2011, é um excelente exemplar de filme que não sai facilmente da cabeça e que a cada análise uma nova camada surge para presentear o espectador. Em 2012 foi a vez de Amor Bandido que, mesmo sendo um bom filme com atuações formidáveis, não deixa quase nada para ser digerido após seu encerramento. Agora, em 2016, veio Destino Especial que, infelizmente, toma os pensamentos do público, mas só para ir subtraindo suas realizações.


Evocando o clima nostálgico das produções oitentistas da Amblin, mas sem perder a pegada independente, Destino Especial tinha tudo para fazer jus ao título que ganhou em português. Porém, se o destino até se esforça para ser especial, a jornada pouco é. Tirando o mistério inicial e algumas sequências, como uma em particular que ocorre num posto de gasolina, a história se desenvolve de uma forma desinteressante, lentamente e deixando muitas pontas soltas.

Enquanto o colaborador habitual do diretor, Michael Shannon, mostra sua competência mais uma vez, Joel Edgerton volta a provar que é um ator especialmente sem sal. Sam Shepard e Adam Driver dão vida a dois dos vários personagens que parecem ter sido tirados da cartola ou abandonados pela trama ao longo do caminho. Assim também é a de Kirsten Dunst, adequadamente sem maquiagem para viver uma pessoa comum, que surge como que apenas para protagonizar as sequências finais do filme, inexplicavelmente tirando do clímax a dinâmica da relação pai-filho cuidadosamente construída até ali.

O principal erro de Nichols é inserir elementos (como o sutil brilho dos olhos de determinado personagem logo antes do corte pros créditos finais) e ocultar tantos outros (talvez propositalmente), justamente por estimular reflexões e discussões, sem perceber que isso potencializa seus defeitos. Destino Especial se acha um filme inteligente e instigante. Mas não é.


Destino Especial (Midnight Special), 2016




quarta-feira, 20 de julho de 2016

John O CARA Williams


Tubarão, Star Wars, Superman, Indiana Jones, E.T., Esqueceram de Mim, Jurassic Park, A Lista de Schindler, Harry Potter.

Estas e incontáveis outras trilhas sonoras inesquecíveis foram compostas por um único cara. A pessoa viva com maior número de indicações ao Oscar na história (cinquenta até o momento, tá bom?).

John Williams.

Um ser intocável, de outro planeta, certo?

Errado. Tenta tocar o tema de Guerra nas Estrelas na porta da casa dele pra você ver...


Gênio.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Agora você vê...


Respeitável público, preste bem atenção!

Algo surpreendente vai acontecer.

Mas saiba que é apenas um truque.

Seus olhos vão enganar a sua mente.


A grande revelação...

...é que vocês vão gostar (mais do que deviam) de Truque de Mestre: O Segundo Ato.


Só que há explicação racional para isto.

A primeira parte do segredo é a expectativa. Ao dar a vocês um primeiro ato abaixo da média, tudo que acontecer depois, se for ao menos uma melhoria, já parecerá um espetáculo.


A seguir, a artimanha é desenvolver não somente o ato, mas o artista. Um mágico diferenciado tem que saber distrair e entreter, além da mera execução dos truques. Repetir rostos famosos, já conhecidos e queridos, é fórmula básica de sucesso. E, sem entregar muito, Truque de Mestre 2 faz muito bem o uso (de novo, por vezes literal) do "repetir rostos famosos". Quando não foi possível, como por exemplo reprisar a "Cavaleira" Isla Fisher (grávida e indisponível para as filmagens), a substituição foi acertadíssima: Lizzy Caplan surgiu à vontade, com boas tiradas e divertindo (e se divertindo) muito como o quarto e feminino elemento. E para ajudar a promover aquela sensação de progresso em relação ao ato anterior, adicionar mais uma figura prestigiada e fortemente associada a magia é trivial.

Agora, a apresentação em si é, claro, importantíssima. Mesmo sendo a maioria os números inverossímeis, carregados de efeitos digitais e assim irreproduzíveis em um palco real, existem cenas realmente empolgantes envolvendo os Quatro Cavaleiros, com destaque para uma criativa sequência de tirar o fôlego que gira em torno (por vezes literalmente) de uma carta que esconde um cobiçado circuito eletrônico.

Com estas e tantas outras distrações, não dá nem tempo de prestar muita atenção no roteiro e nem, consequentemente, de reclamar dos seus inúmeros furos. Mas, pelo menos agora a inevitável reviravolta não é tão pretensiosa quanto antes. Aliás, a falta de pretensão é a saída do filme, que termina com um gancho (se eximindo da responsabilidade de apresentar um impactante "grande truque" final) e se despede com um personagem dizendo (pra plateia?): "Obviamente vocês têm algumas perguntas, certo? Bem... boa sorte!"

Truque de Mestre: O Segundo Ato (Now You See Me 2), 2016




terça-feira, 5 de julho de 2016

Você está sendo vigiado...


Depois de quatro temporadas com pouco mais de 20 episódios cada e uma quinta temporada com 13, chegou ao fim Person of Interest ('Pessoa de Interesse' segundo o Wikipedia e o imdb, ou 'Sob Suspeita' como chegou a ser chamada no Warner Channel Brasil).

Por algum motivo desconhecido, esta série não agradou multidões, mas conquistou uma base de fãs fiel - e não a decepcionou. Com nomes por trás como J.J. Abrams e Jonathan Nolan e um elenco sólido com Jim Caviezel, Michael Emerson, Taraji P. Henson e Kevin Chapman, a interessante premissa - do combate ao crime antes da sua ocorrência - foi aos poucos saindo do formato 'procedural' de "crime da semana", para um formato 'serializado' com uma história de fundo sendo (bem) desenvolvida.


Mesmo lidando com alguns temas sérios e por momentos carregados de cinismo (especialmente a partir da terceira temporada) os roteiristas não abriram mão de injetar leveza, nem deixaram o peculiar humor de lado, criando tanto momentos tensos, bem pé no chão, quanto momentos descontraídos, quase escapistas. As inúmeras reviravoltas, dentro dos próprios episódios ou a longo prazo nas temporadas, nem sempre funcionaram como deviam, mas nunca cansaram. Person of Interest pode não ter tido a carga dramática ou o impacto visual das super-produções televisivas de sua geração, mas sem dúvida foi a jornada mais divertida fora do gênero comédia.

E se foi uma boa jornada, o desfecho foi à altura. Do segundo episódio, que marcou ao permitir os atores explorarem seus lados cômicos com uma inversão de papéis, até os minutos finais do 'finale', a última temporada foi satisfatória, adequada e genuinamente emocionante. Tudo isto sob uma cativante trilha sonora, de Ramin Djawadi - o mesmo de Game of Thrones. E enquanto nas temporadas anteriores por vezes o papel do contido Harold Finch parecia insinuar que havia mais potencial de Michael Emerson ali, fora da sombra de Benjamin Linus de Lost, os episódios derradeiros provaram porque este é um ator muito sub-apreciado.

Lá em 2011, começar a assistir Person of Interest era uma opção para uma vida pós-Lost. Agora, a série assume o papel de partir para deixar saudades e abrir a busca para enganar um vazio a ser preenchido.


Person of Interest, 2011 - 2016




quinta-feira, 30 de junho de 2016

O Padeçômetro


Há alguns meses, foi inaugurado no blog o padeçômetro.

Desde então, todos os textos específicos sobre algum filme ou série de TV passaram a ser acompanhados do comumente polêmico, algumas vezes injusto e não raramente incoerente (mas sempre divertido) sistema de pontuação em estrelas (no caso, logotipozinhos do padecin).

Indo de 0 a 5, e variando de 0,5 em 0,5, esta foi a escala adotada:



Qual a nota do padeçômetro?

sábado, 25 de junho de 2016

Poola esse


Quando passou pelos cinemas, Deadpool foi venerado por concretizar exatamente o que os fãs do personagem sonhavam como adaptação. Além da fidelidade com as HQs, os elogios eram direcionados também para seu estilo que, repleto de auto-paródia, se recusava a se levar a sério. As críticas foram altamente positivas, as bilheterias resultaram num recorde para filmes de censura 'R' (Restricted - recomendado para maiores de 17 anos) e o boca a boca foi animador.

Mesmo com tanta recomendação, foi com relutância que resolvi dar uma chance à produção, na tela da TV. Confesso que já de cara, nos engraçadinhos créditos iniciais, fui fisgado e logo fiquei encucado: será que este filme poderia ser realmente surpreendente, um ponto fora da curva?

Bem, a reposta é um... pouco menos relutante... 'não'.


As incontáveis referências, seja a outras propriedades da Marvel, à rival DC ou a outros filmes quaisquer, e o recorrente uso da metalinguagem de forma cômica dão um toque especial e injetam um ar de novidade, mesmo oscilando entre o genial e o óbvio sem discernimento. Deadpool parece uma mescla de Curtindo A Vida Adoidado com filmes do Mel Brooks, fantasiada de blockbuster e regada a violência gráfica com pitadas de nudez e sexo. O humor frenético diverte, mas as infindáveis piadas e gags visuais sobre pênis e bunda cansam rapidamente. A metralhadora de xingamentos parece saída das comédias teatrais sem conteúdo, que acreditam piamente que apelar para palavrões incessantes é uma solução para fazer rir.

Mesmo se esforçando para ser tão diferente em tom e estilo dos outros filmes de super-herói, a narrativa não consegue fugir dos clichês mais básicos de enredo. 'Cara desvirtuado conhece garota que pode o tornar uma pessoa melhor. Casal tem ótimos momentos juntos. Cara descobre doença terminal e abandona garota, para o bem dela. Cara tenta solução extrema para poder voltar para garota. Vilão acaba deformando o cara, que parte em busca de vingança, pois teme ser rejeitado pela garota. Cara começa a aniquilar aliados do vilão. Vilão descobre que para chegar no cara, precisa sequestrar a garota. Garota deixa objeto marcante no chão para o cara descobrir que foi levada. Cara derrota o vilão e salva a garota. Garota aceita o cara como ele é, mesmo deformado.'

E nessa história super-básica estão personagens super-banais (ironicamente como o letreiro inicial já havia anunciado, mas que todos, inclusive eu, acreditaram que era só uma piadinha): a donzela em apuros, o vilão sem motivações plausíveis, o ajudante alívio cômico, os heróis secundários que ninguém conhece e os inúmeros capangas que estão ali para serem mortos. Nenhum deles passam do unidimensional, têm histórico, nem se desenvolvem de alguma forma. Ryan Reynolds pode até ter "nascido para viver Deadpool", como muitos disseram por aí, mas definitivamente seu irritante e superficial Wade Wilson não conquista um lugar no rol de (anti-)heróis a serem lembrados.

Nem mesmo a ação, usualmente ponto forte neste tipo de filme, chega a marcar. Há somente uma grande e empolgante sequência, que nem é no clímax da história, e o confronto final com o vilão é sem tempero e desaponta. Os efeitos visuais, no entanto, transportam para o filme, diretamente dos quadrinhos e animações, uma inovação positiva: a máscara que o herói usa já não é mais estática e, com a ajuda de computação gráfica, os entornos de olhos e boca se movimentam de forma a modelar as expressões faciais de acordo com o sentimento momentâneo do personagem. Aparentemente, a se julgar pelo novo Homem-Aranha visto em Capitão América: Guerra Civil, uma nova e bem vinda tendência.

Pelo sucesso que fez, Deadpool parte para uma inevitável sequência. Resta saber se, passado o encantamento inicial, haverá vigor para a longevidade da franquia.  Eu poderia até entrar num "dead pool" pra apostar qual franquia de super-herói que morre primeiro, mas a verdade é que... francamente, eu não dou a mínima. (No original em inglês: "Frankly, my darling, I don't give a f***!")

Deadpool (Deadpool), 2016