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sábado, 30 de dezembro de 2017

2018 - O que vem por aí...


Então, a minha lista dos mais aguardados do ano...

01. Dois Spielberg, claro:
Jogador Nº1 (Ready Player One)
Ficção-científica - 29 de março
Dir.: Steven Spielberg
Com Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn

The Post - A Guerra Secreta (The Post)
Drama - 25 de janeiro
Dir.: Steven Spielberg
Com Meryl Streep, Tom Hanks, Bob Odenkirk



02. A forma da água (The Shape of Water)
Drama/Fantasia - 01 de fevereiro
Dir.: Guillermo Del Toro
Com : Sally Hawkins, Octavia Spencer, Michael Shannon

03. Jurassic World: Reino Ameaçado (Jurassic World: Fallen Kingdom)
Aventura - 21 de junho
Dir.: J.A. Bayona
Com Bryce Dallas Howard, Chris Pratt, Jeff Goldblum

04. Aniquilação (Annihilation)
Ficção-científica - 02 de fevereiro
Dir.: Alex Garland
Com Natalie Portman, Tessa Thompson, Oscar Isaac

05. Máquinas Mortais (Mortal Engines)
Ficção-científica - 14 de dezembro (EUA)
Dir.: Christian Rivers
Com Hugo Weaving, Stephen Lang, Robert Sheehan

06. Uma Dobra no Tempo (A Wrinkle in Time)
Fantasia - 29 de março
Dir.: Ava DuVernay
Com Reese Witherspoon, Chris Pine, Gugu Mbatha-Raw

07. First Man (projeto sobre Neil Armstrong ainda sem título em português)
Drama - 12 de outubro (EUA)
Dir.: Damien Chazelle
Com Ryan Gosling, Claire Foy, Jon Bernthal

08. Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story)
Aventura - 24 de maio
Dir.: Ron Howard
Com Alden Ehrenreich, Emilia Clarke, Paul Bettany

09. O Homem das Cavernas (Early Man)
Animação - 08 de fevereiro
Dir.: Nick Park
Com vozes de Tom Hiddleston, Maisie Williams, Eddie Redmayne



10. Continuações!
Cloverfield Movie (ainda sem título definitivo)
Suspense - 02 de fevereiro (EUA)
Dir. Julius Onah
Com Gugu Mbatha-Raw, Elizabeth Debicki, Daniel Brühl

Oito Mulheres e um Segredo (Ocean's 8)
Ação - 08 de junho (EUA)
Dir.: Gary Ross
Com Sandra Bullock, Anne Hathaway, Cate Blanchett

Os Incríveis 2 (Incredibles 2)
Animação - 15 de junho
Dir.: Brad Bird
Com vozes de Craig T. Nelson, Samuel L. Jackson, Holly Hunter

Missão: Impossível 6 (Mission: Impossible 6)
Ação - 26 de julho
Dir.: Christopher McQuarrie
Com Tom Cruise, Henry Cavill, Rebecca Ferguson

A Volta de Mary Poppins (Mary Poppins Returns)
Musical - 20 de dezembro
Dir.: Rob Marshall
Com Emily Blunt, Meryl Streep, Colin Firth


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Deixando 2017...

Chegou aquele momento de fazer minha lista dos melhores do ano (considerando os que eu consegui ver, claro):

01. Dunkirk

02. Fragmentado


03. Em Ritmo de Fuga

04. Star Wars: Os Últimos Jedi

05. Colossal

06. Planeta dos Macacos: A Guerra

07. LEGO Batman: O Filme

08. Blade Runner 2049


09. Corra!

10. Mulher-Maravilha


Se fosse para considerar também os de 2016 que foram lançados aqui no Brasil somente em 2017, La La Land: Cantando Estações entraria em 2o. lugar, jogando todos os demais uma posição pra baixo.



domingo, 24 de dezembro de 2017

A Força é poderosa neste - agora com spoilers


Passado o período perigoso, fica liberado comentar alguns aspectos cruciais de Star Wars: Os Últimos Jedi. O principal motivador é responder à uma frente que simplesmente estabeleceu que: a) o público odiou o filme e a crítica foi paga pela Disney; e b) o filme é ruim e estraga tudo que existe no universo Star Wars.

Antes de mais nada, é necessário assimilar que existem de fato fãs radicais que, incompreensivelmente, detestaram o filme. Eles não são maioria da população mundial frequentadora de salas de cinema. Há uma tendência a se agarrar nos resultados iniciais do Rotten Tomatoes, que apontava a produção com 92% de aprovação entre os críticos, mas apenas com 53% do público. Mas, vale notar que, enquanto o site faz de fato um apanhado de todos os principais críticos pelo mundo, a nota do público é baseada apenas nos usuários que são devidamente cadastrados e que se dão ao trabalho colocar sua pontuação. Hoje são pouco mais de 140 mil usuários que contribuíram para a qualificação de Os Últimos Jedi. E, mais importante, pode-se notar que ao lado do balde de pipoca caído está escrito  "53% do público gostou deste filme". E aí há espaço para um outro grande debate, que não será travado aqui: "gostar" e "não gostar" é diferente de "ser bom" ou "ser ruim". E, ainda assim, há outra referência a ser levada em conta, o CinemaScore, que desde a década de 1970 realiza pesquisa diretamente nas saídas dos cinemas americanos e canadenses para colocar em prova a receptividade dos principais lançamentos. Os Últimos Jedi recebeu nota A, que perde apenas para A+.

Quanto à possibilidade de crítica paga, francamente... o sucesso de Star Wars nunca foi afetado pela crítica. Não ia ser agora, na Disney, que a coisa iria mudar. Aliás, a Lucasfilm acertou com Rian Johnson a realização de uma nova trilogia no universo Star Wars antes mesmo do filme estrear, tamanha a confiança de que o produto final seria rentável. E este acerto foi mais que acertado.

Eliminado o item a), resta o b). E a partir de agora... SPOILERS pesados sobre Star Wars: Os Últimos Jedi.



Bom, para organizar, abordagem por tópico:

A Força
O principal trunfo de Rian Johnson é devolver à Força o sentido amplo e mítico que ela merece. Com a trilogia desnecessária (para amenizar) composta pelos Episódios I, II e III, George Lucas introduziu os midchlorians e estragou a noção instituída por ele mesmo nos IV, V e VI de que a Força existia por aí e poderia ser manipulada por qualquer um, com o devido treinamento, com a devida fé ou com a devida oportunidade. Os Últimos Jedi faz um ótimo trabalho, já pincelado em Rogue One, de mostrar que qualquer um pode usar A Força e não apenas os que nasceram predestinados a tal. E é o melhor filme que explica o conceito praticamente taoísta da Força. Quem TEM a Força é o He-Man depois que evoca os poderes de Grayskull. Os Jedi sentem, usam a Força. "Que a Força esteja com você", não "Que você tenha a Força", certo?

Novos personagens x Personagens antigos
Outra coisa que George Lucas errou no I, II e III foi se sentir na obrigação de incluir tanto personagem secundário do IV, V e VI. Por mais que goste deles, R2-D2 e C3-PO, por exemplo, não tinham nada que aparecer naquela trilogia. Neste filme têm muito pouco tempo em tela, bem como Chewbacca,  em benefício para a história que está sendo contada agora, de Rey, Kylo, Poe e Finn. Isto não é desrespeito à saga, mas uma consequência natural de uma trama em evolução. Ainda assim, faltou tempo para os personagens introduzidos agora, sobretudo Rosie, que não tem desenvolvimento suficiente para criar amarras emocionais com o público nem fazer por merecer um romance com Finn, e o de Benicio Del Toro, que -mal sinal- sequer tem seu nome revelado. De qualquer forma, por mais que a sequência de Canto Bight não seja lá das mais fortes, Del Toro apresenta um tipo inédito neste mundo que sempre viveu limitado à dicotomia bem x mal, luz x escuridão. Embora pareça apenas servir como recurso do roteiro (se ele podia decodificar a tranca da cela a qualquer momento, o que ele estava fazendo ali dentro senão apenas esperando para soltar os mocinhos?) suas colocações amorais são pertinentes, mesmo que indesejadas, e dão mais consistência à realidade de todo aquele universo.

Expectativas do gênero
E Del Toro protagoniza também uma das várias cenas em que Rian Johnson subverte expectativas de filmes de ação/ ficção. Após trair Finn e Rosie, ele não dá uma recaída à la Lando Calrissian e simplesmente dá as costas, sem voltar num segundo momento para salvá-los, como seria de se esperar. Constantemente também, o mocinho (Poe Dameron é o que mais sofre com isso) que se revolta com seus superiores para colocar um plano mirabolante em ação se dá mal, pois o plano falha miseravelmente no último segundo, quando em qualquer outro filme seria no exato momento em que ele daria certo, colocando o protagonista num pedestal. São os vários momentos como este que diferenciam Os Últimos Jedi dos outros que vieram antes.

Leia
Se há uma cena que poderia receber o rótulo de "ridícula" no filme é a de Leia voando pelo espaço. Há várias explicações, como a de que criou uma bolha de ar e de que usou a força para atrair a nave à ela mas, com a relação de massas, foi ela quem foi até à nave, etc, etc. Mas, mesmo assim, é uma cena difícil de se defender. Não porque "nenhum Jedi fez algo similar antes na saga", pois os melhores momentos deste filme advêm de situações ainda não exploradas anteriormente, mas porque há outras maneiras de mostrar a poderosa relação de Leia com a Força. E foi reconfortante constatar que após a morte de Carrie Fisher terminadas as filmagens, Johnson e a Lucasfilm resolveram não mexer em nada do que estava planejado para a personagem e incidentalmente a deixaram com belíssimas palavras de despedida.

Luke
Os detratores estão dizendo que "estragaram" o Luke, se apegando à seguinte notícia:
After reading the script for the film, Mark Hamill told director Rian Johnson, "I pretty much fundamentally disagree with every choice you've made for this character [Luke Skywalker]. Now, having said that, I have gotten it off my chest, and my job now is to take what you've created and do my best to realize your vision."
Mas, preferem ignorar esta:
But Hamill walked back that statement, later telling Variety that “it took me a while to get around to his way of thinking. But once I was there, it was a thrilling experience. I hope it will be for the audience, too.”
De qualquer forma, Mark Hamill é apenas um ator. Só porque foi o único a interpretar o personagem até agora, não significa que tenha plena propriedade sobre ele. O poder de criação é do roteirista e do diretor. E as decisões sobre Luke foram acertadíssimas. É preciso lembrar que Luke começou a treinar já velho e nem completou seu treinamento direito. A aparição de Yoda para dar um puxão de orelha nele e trazer ainda mais ensinamentos é mais do que coerente.

A Morte de Luke
Assinado embaixo no que Rian Johnson tem a dizer:
Q.: When did you decide that Luke Skywalker had to die in The Last Jedi? 
A.: It was something very early on that started to feel right to me.  It was a process.  It was very early when I thought, when I kind of landed on where Luke’s head was at and what his arc was going to be in terms of moving from someone who’s decided the galaxy is better off without Luke and the Jedi to fully embracing the galaxy needs a legend to believe in.  I’m going to put this on my shoulders and be the legend of Luke Skywalker for everybody. 
When I knew that was his arc, I had the instant tinge of that means that’s the place for him to [die] because what else can he accomplish in the physical realm beyond that?  That would be the place emotionally that would have the most impact for him to let himself go.  […] I don’t know what’s gonna happen in Episode 9 at all, but there’s actually more potential for more interesting things in terms of his role in the final chapter if he moves into another realm. 
Q.: He could be a Force ghost haunting Kylo Ren. 
A.: It’s fascinating, isn’t it?  A lot more fascinating than him just tagging along with our heroes with a lightsaber.  So to me, it opened up more potential and it seemed like having a full film that is Luke’s journey…it seemed like if there’s any place in the trilogy where it’s gonna have the most potent place, it would be here.  But believe me, I wasn’t looking forward to doing it. 

Snoke
Assinado embaixo no que Rian Johnson tem a dizer:
I guess the first thing to say is coming into writing this or any story the object is not to subvert expectation, the object is not surprise.  I think that would lead to some contrived places.  The object is drama.  And in this case, the object was figuring out a path for each one of these characters, where we challenge them and thus learn more about each of them by the end of the movie. 
So that having been said, Kylo’s arc in this movie, besides his relationship with Rey, I saw as the big arc for Kylo breaking down this kind of unstable foundation that he’s on and then building him to where by the end of the film he’s no longer just a Vader wannabe. But he’s stepped into his own as kind of a quote-unquote villain, but a complicated villain that you understand, right?  So with that in mind, the idea that Kylo would get to that place by the end of it led me to think, well, then what is Snoke’s place at the end?  And does that work with him just kneeling before Snoke at the end?  No.  If Kylo’s gotta get to a place of actual power the ultimate expression of that would be him ascending beyond his master.
And that also then gives the opportunity to have a great, dramatic moment that you don’t expect of getting Snoke kind of out of the way.  So that really is where it all stemmed from.  It was thinking about Kylo’s path, thinking about where I wanted him to be at the end of the movie to set him up for the next film.  And thinking okay, that means we’re gonna clear away this slightly more familiar dynamic of the Emperor and the pupil.  Clear the boards from that, and then that’s much more exciting going into [Episode IX], the notion of now we just have Kylo as the one that they have to deal with.  You can no longer take a rational guess at how the Snoke-Kylo thing is gonna play out in the next movie.

Pais da Rey
Assinado embaixo no que Rian Johnson tem a dizer:
...if you look at for example, the Vader “I am your Father” moment from Empire [Strikes Back], I think that moment’s so powerful because it’s the hardest possible thing that Luke and the audience could hear at that moment.  It takes away the easy answers basically.  We thought he was just a bad guy that we could hate and want to kill, but that one sentence and suddenly it’s more complicated than that.  It’s harder than that. 
If Rey in this movie, if someone had told her yes, here’s the answer.  You are so and so’s daughter.  Here’s your place in this world.  Here you go.  That would be the easiest thing she and the audience could hear.  It would hand her on a silver platter her place in all this.  The hardest thing for all of us to hear and the thing that she doesn’t wanna hear and maybe we don’t either is that no, this is not going to be something where it’s gonna define you.  And the fact that you don’t have this is gonna be used against you by Kylo to try and pull him into your orbit.  This is gonna be hard.  And you’re gonna have to stand on your own two feet and define yourself in this story.


Em suma... Rian Johnson é o cara que tinha uma história para criar e contar e se concentrou nela e nos personagens que mais importavam, como há muito não se via em Star Wars. Não deu a mínima para o que a internet vinha especulando (e pedindo) desde O Despertar da Força, nem se prendeu a padrões pré-estabelecidos por fãs. Entregou um filme sólido que dá um novo gás para a saga e que (spoilers do próximo post!) foi simplesmente um dos 5 melhores do ano.


sábado, 16 de dezembro de 2017

A Força é poderosa neste


Há muito o que ser dito sobre Star Wars: Os Últimos Jedi. Mas, sem spoilers, só dá para dizer pouco. O mais importante é que é um dos melhores filmes da saga.

Elogiar a qualidade técnica e os efeitos visuais é chover no molhado. O que este oitavo capítulo tem de diferencial é justamente ser diferente dos demais capítulos. Claro que toda a mitologia ainda está ali, totalmente respeitada. Mas, enquanto o anterior, O Despertar da Força, foi criticado por ser referencial demais ao Episódio IV (o "Guerra Nas Estrelas" original mesmo), Os Últimos Jedi não consegue ser comparável a quaisquer dos outros episódios. Mesmo com tantos personagens retornando, o filme passa longe do chamado "fan service" e, não só isso, subverte várias expectativas típicas do gênero e dá resoluções inesperadas (uns radicais diriam desapontadoras) para mistérios anteriormente implantados e amplamente especulados na internet.


O longa não acerta em tudo, como era de se esperar. Logo no começo o espectador tem uma primeira impressão ruim, com a atuação forçada de Domhnall Gleeson como General Hux (o que aconteceu?, ele tem ótimos trabalhos - será que já era assim no Despertar?). E, percebe-se que nem todos atores conseguem fazer uma imersão naquele universo. Uma pena também que nem todos personagens novos tenham sido explorados com a atenção que mereciam (em especial um que traz uma (a)moralidade inédita na saga Star Wars). Outra coisa estranha é que o humor, recorrente, raramente funciona bem. Parece que o roteirista Rian Johnson entregou o material para um diretor, Rian Johnson, que entende pouco de timing cômico.

No entanto, todas as outras vertentes do talento de Johnson estão à mostra, tanto que não é nada surpreendente que, mesmo antes da estreia deste filme, a Disney o tenha contratado para desenvolver e dirigir toda uma nova trilogia no universo de Star Wars. Agora é aguardar com expectativa por este trabalho e pelo Episódio IX. Que J.J. Abrams tenha aprendido com Rian Johnson a ousar. Com esta pegada, Star Wars tem ainda muito, muito o que oferecer (para as plateias) e a render (para a Disney).


Star Wars: Os Últimos Jedi (Star Wars: The Last Jedi), 2017

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Jack is back


Com tanta continuação genérica depois do criativo e divertido primeiro filme, já não dá mais para saber se a franquia Piratas do Caribe chegou à sua 4a., 5a. ou 6a. parte. Independente qual número seja, o importante é que A Vingança de Salazar é bem melhor que as outras  sequências esquecíveis, quase chegando aos pés do precursor de tudo 14 anos atrás, A Maldição do Pérola Negra.

A história continua batidinha: é o já icônico Jack Sparrow contra o vilão sobrenatural da vez, na disputa pelo artefato místico, com ajuda de rostos bonitinhos, enquanto outros piratas rivais e a marinha posam de ameaças adicionais. E, claro, com Capitão Hector Barbossa inserido no meio de alguma forma.


Mas, desta vez, o longa volta a acertar no humor e na ação. Há o retorno dos diálogos afiados e da construção de cenas absurdas, mas divertidamente memoráveis, como a do roubo ao (do?) banco e a envolvendo uma guilhotina. O roteiro resgata bem pontos de episódios  anteriores, fechando-os como num último e satisfatório capítulo, além de criar um pouco mais de contexto (mesmo que desnecessário) para o passado dos personagens principais. Com a menor duração dentre todos até agora, o longa também apresenta um ritmo mais ágil, mesmo que por vezes tenha uma edição abrupta e as ações paralelas à trama principal fiquem apenas jogadas, com pouco contexto.

Se haverá mais outro filme, só a Disney dirá. Os números desapontadores na bilheteria e a má recepção pela crítica indicam que não. Mas, se a comparação com os anteriores é algum indício, se aventurar com Jack & cia. voltou a ser um programa agradável e desejável.


Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales), 2017




PS.: Momento TRIVIA - Hoje a Netflix publicou um artigo sobre os padrões de acesso ao serviço no último ano e apontou um usuário que assistiu a Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra todos os dias por 365 dias consecutivos. Maldição ou promessa?

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Pequenas grandes enrolações


Três dos cinco prêmios que Big Little Lies levou este ano no Emmy são mais que merecidos: Atriz, Atriz Coadjuvante e Ator Coadjuvante. E, nesta linha, poderia até ter levado mais, se houvesse categorias como “Coatriz Principal”, “Coator Coadjuvante”, “Atriz Coadjuvante Secundária”, “Atriz Mirim” (em especial) e sabe-se lá mais o quê.  Porém, os outros dois prêmios, de Direção e Minissérie, são discutíveis, pra não dizer indevidos.

Boa parte do trabalho de um diretor é saber extrair o melhor do seu elenco, e nisto Jean-Marc Vallée (do ótimo Clube de Compras Dallas) se destaca. Com um plantel desses, há o risco de se imaginar analogias como “a seleção tem tanto jogador bom que nem precisa de técnico”. Mas, tanto na origem quanto na forma análoga, essa afirmação é absurda. Caso não deixasse faltar à minissérie ritmo e empatia, a premiação do diretor canadense seria também inquestionável.


Não basta o público estar diante de rostos conhecidos e talentosos, é necessário que os seus personagens sejam cativantes. E, seja por estarem em uma realidade distante e pouco palpável ou seja por raramente serem agradáveis , os habitantes de Monterey aqui retratados, com seus comportamentos sucessivamente bizarros, reprováveis ou até incompreensíveis, não são nada relacionáveis. E para se ter vontade de desprender tanto tempo com eles, o mínimo de afetividade com o espectador teria que ter sido conquistada.

Se não isto, ao menos uma história amarrada e intrigante deveria ser contada. Partindo de um bom pontapé inicial, o primeiro episódio faz jus ao seu título ,“Alguém morreu”, e apresenta a minissérie não somente como um whodunnit tradicional, mas também como um whowasitdoneto ao esconder também a vítima, deixando tudo em aberto. Mas, o suspense é só este e Jean-Marc Vallée acredita ser mais que suficiente para esticar por sete longos episódios o que poderia ter sido contado em menos de duas horas. Apresentando-se em flashbacks, quase desconexos com os depoimentos desinteressantes (mesmo que vez ou outra engraçados) de personagens sub-secundários e irrelevantes, a narrativa falha em criar tramas paralelas atrativas. Os episódios terminam de forma apática, sem ganchos, despertando apenas uma vontade recorrente de se livrar logo daquele incômodo e ir contra a curiosidade básica por saber o desfecho – e a esperança por alguma surpresa que justifique a consagração como melhor do ano.

A conclusão do mistério em si – que só acontece mesmo no último capítulo, com evolução quase nula até então - não surpreende e passa longe do memorável. Dois anos atrás, este blog apontou que parecia que a Globo estava tentando aproximar suas novelas das séries da HBO. Agora, parece que a HBO tentou aproximar sua série de novelas da Globo.


Big Little Lies (1a. temporada), 2017




quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Um livro sem editor


O cineasta Colin Trevorrow surgiu para o mundo com a produção independente Sem Segurança Nenhuma, cujo maior fruto foi levá-lo a ser escolhido a dedo por ninguém menos que Steven Spielberg para dirigir Jurassic World: O Mundo Jurássico. E depois destes dois tiros certeiros, outro salto gigantesco: a Lucasfilm o anunciava como diretor de Star Wars: Episódio IX. Natural então que seu próximo filme antes da imersão na saga Skywalker, O Livro de Henry, recebesse o holofote (e figurasse na lista dos 10 mais esperados do ano deste blog).

Porém, mais rápido que sua ascensão meteórica foi sua queda. O Livro de Henry foi massacrado pela crítica e ignorado pelo público. Relatos de bastidores começaram a apontar distúrbios na Força durante a pré-produção do Episódio IX. Não demorou muito, a Lucasfilm demitiu Trevorrow de seu posto por "diferenças criativas".


A questão é que existem apenas duas coisas boas em Henry: o garotinho Jacob Tremblay, que já havia dado show em O Quarto de Jack, e a trilha sonora de Michael Giacchino, que raramente erra a mão. O primeiro infelizmente não salva o filme, apesar de quase ser motivo o suficiente para o público gastar seu tempo. Quase. E o segundo evidencia o grande problema do longa - as constantes mudanças de tom.

A musiquinha alegre com a sequência animada que compõe os créditos iniciais indicam um determinado tipo de filme. Mas, seja por ambição e ousadia, seja por estar simplesmente perdido, Trevorrow inesperadamente e sem muita sensibilidade transforma o filme em um drama leve, depois em um drama pesado, depois em uma história de suspense e depois finaliza como alguma outra coisa. Sem Segurança Nenhuma não deixava de ser uma mistura de ficção, comédia e drama, mas o resultado parecia bem dosado e homogêneo. Já O Livro de Henry é um balaio confuso de emoções que não engrena, preenchido por motivações obscuras e mensagens duvidosas.

Todo grande cineasta tem seu tropeço. Mas, o importante é que todo grande cineasta aprende com seu tropeço. Pelas declarações arrogantes, Colin Trevorrow não tem se mostrado grande. É torcer para que o tempo e outros estúdios deem oportunidade para ele se redimir.


O Livro de Henry (The Book of Henry), 2017