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terça-feira, 4 de junho de 2019

Pontos finais



Depois de 12 temporadas de uma boa mistura de sitcom tradicional com muita nerdice, Big Bang Theory chegou ao final se não com uma explosão, ao menos com a devida emoção. Assim como foi com (a superior, é verdade) Friends, o charme residiu em acompanhar o grupo de amigos: seus relacionamentos, seus maneirismos, seus sucessos, seus fracassos e sua evolução. O fim não deixa de ser agridoce, pois é impossível se livrar do sentimento de despedida definitiva. Mas, se paro de zapear toda vez que Chandler, Monica, Rachel, Ross, Phoebe e Rachel surgem na tela, sinto que o mesmo vai acontecer com Sheldon, Amy, Leonard, Penny, Raj, Howard e Bernadette. Com prazer.

The Big Bang Theory (12 temporadas), 2007-2019






Já com um pouco de saudade de Game of Thrones e acostumado com o padrão dos especiais sobre bastidores da TV e do cinema, sentei para ver The Last Watch com nenhuma expectativa, além da de revisitar alguns cenários e atores da série da HBO. Mas, os realizadores surpreenderam positivamente ao optar por seguirem "personagens" mais empatizáveis, mas não menos interessantes, do cotidiano da produção, em vez de entregarem um amontoado de depoimentos de astros do primeiro escalão. Divertido e até emocionante, este documentário é obrigatório para todos que acompanharam a saga de Westeros: os que gostaram e os que absurdamente acham viável fazer uma petição pedindo toda uma nova última temporada.

Game of Thrones: The Last Watch (HBO), 2019






Dentre as sugestões sem noção que ouvi dos que odiaram o desfecho de Game of Thrones, uma se destacou: "Por que não lançaram uns cinco ou seis finais diferentes?" Minha reação de "E quem escolheria o final, VOCÊ???" saiu filtrada na forma de "Você já assistiu Bandersnatch?". A questão é que o episódio especial da cultuada Black Mirror parte de uma ideia genial, em teoria, e que só pôde existir neste formato (comum em games e até na literatura) graças à Netflix, ao streaming. Ao tomar decisões respondendo perguntas simples que surgem em tela, o espectador influencia diretamente os rumos que a história vai tomar. Apesar de se enveredar por uma metalinguagem curiosa, a fórmula de  Bandersnatch cansa rapidamente, justamente por não fornecer um senso de propósito. E de conclusão. Se não ficar satisfeito com final que acabou de assistir, você pode continuar "tentando" até ver quantos outros finais quiser. O resultado está mais para um experimento sem identidade, que sequer consegue fomentar as discussões filosóficas típicas de um pós-episódio de Black Mirror.  Diga o que quiser sobre os destinos de Cersei, Daenerys, Bran ou Jon: te garanto que Game of Thrones com cinco ou seis finais à la carte seria infinitamente pior.


Black Mirror: Bandersnatch (Netflix), 2018




sábado, 1 de junho de 2019

Raios!



Com pouquíssimo conhecimento sobre o universo Pokemón (um papo ou outro sobre o assunto com meu filho, a assimilação de que o mais importante é o amarelinho, e ícone pop, Pikachu e que seu poder maior é soltar raios pelo rabo - graças a um clipe alternativo do John Ulhoa), não precisa ser investigador  para afirmar que eu não sou o público alvo de Detetive Pikachu. Todavia, mesmo indo ao cinema só para tentar ser um bom pai, não fiquei entediado. Aliás, posso admitir que até gostei. Certamente a produção é um prato cheio para fãs, cheia de detalhes e referências, mas ainda apresenta uma base mínima para engajar os marmanjos. O visual do filme como um todo é bem cuidado e os monstrinhos são bem feitos. Se o recente (e merecidamente execrado) trailer de Sonic - O Filme é exemplo, ser "bem feito" ainda é um elogio hoje em dia e não algo óbvio. Em termos de roteiro, há furos por todos os lados. Só que não deixa de ser uma boa iniciação para os pequenos em filmes noir e em reviravoltas.

Pokémon: Detetive Pikachu (Pokemon Detective Pikachu), 2019






(Contém SPOILERS de Shazam!)
Talvez pelo já bastante criticado tom sombrio de vários dos filmes mais recentes da DC, a campanha de marketing de Shazam! investiu pesado no lado cômico da produção. E nada do que foi previamente divulgado nos prepara para os momentos mais pesados do filme. Não me refiro nem à violência, típica de quadrinhos, principalmente envolvendo os monstros que personificam os sete pecados capitais, mas às decisões do roteiro em trazer uma crueldade realista para seus personagens. Estamos falando de um filme que abre com um menino sofrendo bullying de seus próprios pai e irmão, que vem a crescer e se tornar o vilão que acaba matando os dois. Sem falar no arco do protagonista, que passa a maior parte do longa na busca por sua mãe, só para no clímax encontrá-la e ouvir secamente da sua boca que ela não o perdeu quando criança, mas simplesmente o abandonou. No entanto, na maior parte de sua duração, o filme cumpre o que promete (e ali tem seus melhores momentos) sendo essencialmente uma comédia, por vezes quase besteirol, que chega até a lembrar a série oitentista Super-Herói Americano, em que um adulto imaturo tenta descobrir e controlar seus novos superpoderes. O que distrai um pouco é que, ao contrário de tantas outras produções com a situação de "mesmo personagem, corpo diferente", o divertido Shazam adulto de Zachary Levy não se parece nem um pouco (comportamento, temperamento, etc) com o retraído adolescente Billy Batson.

Shazam! (idem), 2019







Quando Shrek 2 foi lançado, três anos depois do seu antecessor, já não existia mais o frescor da novidade e havia pouco a se acrescentar nos cruzamentos malucos dos personagens de vários contos de fadas. A continuação estava alicerçada meramente no peso dos seus já icônicos protagonistas. Uma Aventura Lego 2 sofre dos mesmos males que Shrek, com um agravante. Embora o primeiro filme e seu spin-offLego Batman: O Filme, tenham sido muito bons, seus protagonistas não conquistaram relevância cultural o suficiente para carregar um longa inteiro nas costas. Assim, a produção tem lá seus momentos divertidos, suas sacadas, suas referências, mas ironicamente ecoa a nova canção principal: "nada é tão incrível"...

Uma Aventura Lego 2 (The Lego Movie 2: The Second Part), 2019