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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Tudo é bat-incrível


Uma das vantagens de brincar quando criança é que não há limites para o que a imaginação pode criar. Coisas incabíveis em um filme, por exemplo, podem acontecer ali. Não há restrições orçamentárias, impedimentos por direitos autorais, nem "economia" de propriedade para exploração comercial em oportunidades posteriores. Se a criança quiser que todos, absolutamente todos, os vilões de um determinado super-herói surjam para atacá-lo de uma só vez, está feito. E, se bobear, os action figures de anime japonês do irmão mais velho e os enfeites da sala também entram na história. Diversão pura que nenhum produto do sistema de estúdios atual conseguiria prover.

Até semana passada.

LEGO Batman: O Filme é isto aí: uma grande e divertida brincadeira que conquista as crianças e arranca gargalhadas dos pais ao juntar num único lugar praticamente tudo que existe no universo do homem morcego. E se o predecessor, Uma Aventura Lego, já tinha surpreendido com a mistureba de participações especiais dos próprios heróis da DC Comics e de figuras como Gandalf, Dumbledore, Han Solo & Chewbacca, as Tartarugas Ninja, etc, Batman Lego dá um passo adiante e transforma em coadjuvantes vários personagens de outros filmes da (e não somente da) Warner Bros.

A própria Warner (por que não brothers? - eu também sempre me perguntei) é o primeiro alvo dos comentários ácidos do protagonista - que perpetuam durante a projeção e dão uma nova roupagem ao mesmo. Claro que ele parece mais uma estrela do rock egocêntrica do que o vigilante amplamente conhecido, mas aquela imagem sombria/ sem-vontade-de-cantar-uma-bela-canção já estava cansando. Talvez Zack Snyder aprenda algo e ponha um sorriso no rosto de Ben Affleck na Liga da Justiça. E quem não queria ver Bruce de máscara dentro da Mansão Wayne enquanto apanha de trivialidades corriqueiras, como errar a entrada HDMI da TV ou colocar um zero a mais no temporizador do microondas?


Lego Batman é uma grande paródia lotada de meta comentários. Efetivamente, uma auto-paródia que não precisa mascarar nomes, identificações visuais e temas musicais para ficarem parecidos com os originais - apenas usa os verdadeiros e ri de si mesmo. É perfeito para quem acompanha a trajetória do cavaleiro das trevas, sobretudo na TV e no cinema, mas funciona muito bem também para quem é um pouco menos ligado no assunto.

Seguindo um ritmo quase tão insano quanto ao de Uma Aventura Lego e com uma animação de primeira, onde os detalhes dos personagens e dos cenários são tão bem cuidados que quase leva a plateia a crer de que se trata de stop-motion com bonecos de verdade, o filme mostra que o sucesso da transposição dos bloquinhos de brinquedo para o cinema não foi um acaso da sorte. E quando os créditos finais aparecem, fica a sensação de "Ah, já tem que ir embora? A gente ainda tinha muito o que brincar"...


LEGO Batman: O Filme (The LEGO Batman Movie), 2017




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