Fale Comigo (Talk to Me), 2022
Ninguém Vai Te Salvar (No One Will Save You), 2023
Five Nights at Freddy's - O Pesadelo Sem Fim (Five Nights at Freddy's), 2023
Fale Comigo (Talk to Me), 2022
Ninguém Vai Te Salvar (No One Will Save You), 2023
Five Nights at Freddy's - O Pesadelo Sem Fim (Five Nights at Freddy's), 2023
Perdi boa parte das adaptações de heróis dos quadrinhos deste ano até agora, ora por preguiça após a má recepção (Shazam! Fúria dos Deuses, Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania), ora por uma mistura de desleixo com falta de tempo (Besouro Azul, desculpe aí Bruna Marquezine!)
Mas os que resolvi encarar renderam um dos melhores filmes do ano, Homem-Aranha: Através do Aranhaverso, e mais outros três acima da média - embora dois mais longos do que deveriam (Guardiões da Galáxia Vol. 3 e The Flash).
O que tem a duração enxuta e apropriada é a mais nova releitura dos heróis no meio casco, As Tartarugas Ninja: Caos Mutante. Com uma animação belíssima (mesmo quase todos humanos sejam propositalmente "feios"), o longa traz os personagens para uma dinâmica muito atual (usam celulares o tempo todo, fazem tik toks etc) em uma modernizada natural e bem-vinda. E se, em contraponto à séria animada do final dos anos 80 ou até mesmo o live-action de 1990, não se ocupa com o desenvolvimento dos personagens individualmente (basicamente restritos às cores de suas faixas, às suas armas e, agora, peculiaridades físicas), acerta em criar uma entidade realista como um grupo de adolescentes, recorrentemente falando todos ao mesmo tempo, numa identidade quase que de bando.
Confesso que (além do Aranhaverso) somente As Tartarugas vi no cinema. Portanto, o tanto que "perdoei" a qualidade técnica do Flash (tão mal falada, principalmente numa sequência inicial envolvendo bebês) pode estar justificado por eu ter praticamente o encarado como um lançamento direto para o streaming. O fato é que é um filme bastante divertido (incluindo a tal cena dos bebês), que tem um arco tocante e participações especiais de aplaudir de pé. Sem dúvida um dos melhores da DC em um booom tempo (sempre, claro, excluindo desse tipo de comparação a trilogia Cavaleiro das Trevas do Nolan - outro nível).
E qualidade é algo que até sobra no vol. 3 dos Guardiões, bem como trilha sonora e emoção. Ainda que isto seja um padrão Marvel, o que mais empolga, nessa que é a melhor trilogia dentro do MCU, é justamente o quanto não se parece com um padrão Marvel. Parte porque simplesmente está menos para um filme de super-herói e mais uma ópera espacial e outra boa parte porque James Gunn conseguiu imprimir seus toques particulares para criar algo coeso e singular (ainda que amplamente ligado ao resto do MCU).
As Tartarugas Ninja: Caos Mutante (Teenage Mutant Ninja Turtles: Mutant Mayhem), 2023
The Flash (idem), 2023
Guardiões da Galáxia Vol. 3 (Guardians of the Galaxy Vol. 3), 2023
O mais direto dos filmes de Christopher Nolan e sem, portanto, firulas além de saltos constantes para (e de flashbacks), Oppenheimer ainda consegue transformar o que seria uma cinebiografia básica sobre "homens conversando em salas fechadas" em um verdadeiro feito cinematográfico. Parte disso se deve às imposições técnicas do cineasta, sobretudo quanto ao ineditismo de se filmar parcialmente em película 65mm IMAX preto-e-branco (nas poucas cenas que não são sob o ponto de vista do protagonista) e quanto à insistência de fazer efeitos especiais práticos (apesar de que uma tomada se beneficiaria imensamente de uma transição mais lenta por CGI). Outra parte, claro, recai sobre às atuações de um elenco invejável no geral e em um Cillian Murphy carregando o peso do mundo (ou do potencial fim do mundo) em suas costas.
Oppenheimer (idem), 2023
Mais do que por seus sets inspirados e por seus diálogos genuinamente engraçados em sua maior parte, Barbie surpreende por conseguir ser ao mesmo tempo uma sátira e um drama, uma crítica e uma autopromoção. Alternando gags visuais e comédia pastelão com momentos reflexivos e temas como crise existencial e, sem sutilezas, o patriarcado, a história logo se desvia da dose inicial de Uma Aventura Lego, toma seus próprios rumos em cores vibrantes, mas termina mais em tons pasteis. Mesmo com tanto a dizer, inclusive em um discurso expositivo no terceiro ato, a mensagem final parece opaca - sintoma de um filme em que Ken tem mais arco que a personagem-título.
Barbie (idem), 2023
Antes de um filme de Wes Anderson se sabe exatamente o que virá do ponto de vista de estética visual e, ainda que nesta altura do campeonato já seja óbvio (e, arrisco dizer, batido), costuma ser um deleite para qualquer amante do cinema. No entanto, o que diferencia (ou eleva) uma obra do diretor é se sob a camada do estilo há uma história coesa ou emocionalmente cativante (como em Moonrise Kingdom) e/ou personagens peculiares em situações divertidas (como em O Grande Hotel Budapeste). Seu mais recente, Asteroid City, não tem nada do primeiro mas, por alívio, tem um certo tanto do segundo. É um Anderson padrão pra bom, nada de outro mundo.
Asteroid City (idem), 2023
Com comparação, Indiana Jones e a Relíquia do Destino 'não é'. Não é inspirado como Caçadores da Arca Perdida, não é sombrio como O Templo da Perdição, não é engraçado como A Última Cruzada e... não é decepcionante como O Reino da Caveira de Cristal. Sem comparação, é uma aventura à moda antiga que empolga e entretém nas medidas certas. James Mangold não desperdiça a oportunidade única (e complicada) de substituir Spielberg na direção e Harrison Ford prova que é insubstituível como Dr. Henry Jones Jr. Uma despedida decente para o maior herói do cinema.
Indiana Jones e a Relíquia do Destino (Indiana Jones and the Dial of Destiny), 2023
Responsável por sucessos incontestáveis do meio dos 1990s até os o fim dos 2000s, a Pixar entrou numa onda de altos e baixos dos 2010s até agora - principalmente por se deixar levar por sua fórmula de estrutura narrativa e de jornada emocional dos personagens. Mas, assim como muitos destes mais recentes, Elementos ainda consegue encontrar originalidade, beleza visual, alguns riscos e a emoção que se espera de um "Pixar Fase Um", mesmo com todos os (perdão do trocadilho) elementos de um "Pixar Fase Dois". O ritmo (de uma comédia romântica) e as temáticas (sendo imigração a principal) podem tornar o filme um pouco maçante para os menorezinhos, mas maiorezinhos e grandões têm assegurados (pelo lado positivo e pelo não tão negativo) bons 100 minutos de Pixar na telona.
Elementos (Elemental), 2023
Em quantidade maior e, na média, em qualidade melhor que a quinta temporada, Black Mirror desembarca sua sexta temporada após quase quatro anos de espera.
Os dois primeiros episódios, levemente interconectados, A Joan é Péssima (que traz um conceito divertido e instigante) e Loch Henry (pesado mas pouco arriscado), parecem ser críticos à Netflix, mas, em uma segunda camada, são na realidade críticas aos críticos superficiais da Netflix. Típico Black Mirror.
O episódio do meio, Beyond the Sea, é, junto com o primeiro, o mais Black Mirror de todos - tratando dos perigosos efeitos colaterais da tecnologia na alma humana.
E daí, para sua rodada final a temporada dá uma estranha guinada e Mazey Day e Demônio 79 parecem saídos diretamente de um Tales From The Crypt da vida. Nada típico Black Mirror.
Bom, hora de atualizar a lista comparativa de todas as temporadas:
Desvios, à parte, Black Mirror continua provocante e uma das melhores séries de antologia da atualidade. Que venha a sétima temporada - mesmo que daqui a 4 anos.
Se o primeiro filme já tinha sido um "pequeno" milagre, a continuação Homem-Aranha: Através do Aranhaverso é simplesmente arrebatadora. Visualmente impossível, com sua mistura de estilos de animação não só num mesmo filme mas nos mesmos quadros, a maestria técnica não é mero exibicionismo, mas serve em prol da história e da composição de cada um dos personagens – ou, ainda, para o tom emotivo de cada cena. É pura arte, mascarada (perdão do trocadilho) em entretenimento de massa. E com algo a dizer.
Homem-Aranha: Através do Aranhaverso (Spider-Man: Across the Spider-Verse), 2023
Passando longe da maldição de adaptações de jogos, de ser "tão emocionante quanto só assistir pessoas jogando", Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes é genuinamente empolgante, engraçado e, sem parecer genérico, consegue agradar também quem não tem familiaridade com o material original. Aventura à moda antiga, tira proveito da tecnologia atual para trazer sequências memoráveis, como na da fuga de um personagem que muda de forma em um plano sequência (certamente quase todo por computação gráfica, mas ainda assim inventivo).
Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes (Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves), 2023
Claro que todos já sabem o desfecho de Air: A História por Trás do Logo e que o filme é recheado de clichês do gênero e de frases de efeito que cairão nas graças de coachs corporativos. Mas, ainda assim, bem dirigida e com esperadas boas atuações, é uma produção que agrada - não só pela abundante nostalgia oitentista (e basquetebolística). Mas acho que tornei-me incapaz de ser imparcial quando meteram de cara Money For Nothing nos créditos iniciais.
Air: A História por Trás do Logo (Air), 2023
Sobre dois dos três filmes de 2023 que usaram versões de Holding Out for a Hero na trilha sonora. E um que poderia ter usado.
Talvez seja um esforço inútil tentar avaliar Super Mario Bros. O Filme como algo além do que é: uma forma de capitalizar em cima de um videogame de sucesso. Dá, por comparação, dizer que é claramente inferior aos recentes Pokémon: Detetive Pikachu e Sonic: O Filme, mas também superior a, por exemplo, Angry Birds - O Filme ou a própria versão live-action Super Mario Bros. de 1993. Com referências suficientes para agradar aos fãs, mas também "liberdades" ou "desvios" significativos para desagradar os mais puristas, o resultado para quem não é nem um nem outro (como eu) acaba sendo algo genérico. Ou uma caixinha amarela com uma interrogação branca.
Super Mario Bros. O Filme (The Super Mario Bros. Movie), 2023
Inspirado em fatos verídicos, Tetris surte o mesmo efeito do jogo: entretém mais do que inicialmente deveria, mas também cansaria se fosse mais longo. Há as esperadas extrapoladas básicas hollywoodianas, sobretudo num terceiro ato um tanto exagerado, mas o filme funciona bem como um thriller de guerra-fria e conta com boas atuações. Mesmo que os personagens não sejam muito além de versões caricatas de suas contrapartes reais.
Tetris (idem), 2023
Se o filme de super-heróis é uma comédia francesa selecionada para o Festival de Cannes, então certamente não é seu típico filme de super-heróis. E nem mesmo sua típica comédia francesa. Na verdade mais para uma antologia de terror (um retiro da equipe à-la Power Rangers "Tabac Force" é a premissa para contarem "as histórias mais assustadoras que já ouviram"), Fumar Causa Tosse é curioso e peculiar, mas inconsistente (propositalmente?) em tom e ritmo. Se entrasse um pouco mais abertamente (e integralmente) em território de 'Filme B' agradaria mais.
Fumar Causa Tosse (Fumer Fait Tousser), 2022