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domingo, 13 de junho de 2021

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Precisando escapar


Claustrofóbico e contido, mas bem produzido e atuado, o longa francês Oxigênio surge como uma grata surpresa na grade da Netflix. Talvez exceda um pouco na quantidade de reviravoltas (não necessariamente inesperadas) e poderia muito bem se desfazer do pequeno  epílogo, mas ainda assim se constitui como uma obra sólida e -vejam só- de tirar o fôlego.

Oxigênio (Oxygène), 2021




Com referências incessantes e irritantemente óbvias a, principalmente, Janela Indiscreta e Um Corpo que Cai, A Mulher na Janela escancara sua tentativa  desesperada de ser hitchcockiano. Quem conseguir abstrair-se dessa amarra pode até apreciar um thriller psicológico interessante e genuinamente tenso, que faz o favor de não esticar demais sua duração. 

A Mulher na Janela (The Woman in the Window), 2021




Talvez por possuir uma certa dose de clichês, e de previsibilidade, gerando a sensação de que poderia ter sido bem melhor nas mãos de outros realizadores, O Mauritano não ganhou o destaque que merecia. Esta história real e atual mexe com as expectativas do espectador (do cidadão?) e, em meio a talentos de renome, traz uma atuação inspirada(ora) do pouco conhecido Tahar Rahim. Os créditos finais, essenciais, apenas reforçam isso tudo.

O Mauritano (The Mauritanian), 2021




quarta-feira, 2 de junho de 2021

Amizade, sangue e robôs

 

Lutei contra a ideia da tão aguardada reunião de Friends ser uma espécie de conversa entre os atores e não um episódio adicional, com roteiro. Porém, com o resultado emocionante, criativo dentro dos limites e ainda com algumas surpresas sobre os bastidores, percebo que foi a melhor opção. Há de se concordar com os criadores que a série terminou muito bem e trazer aqueles personagens de volta seria um exercício ingrato de como tirá-los dos seus felizes para sempre.

Friends: The Reunion (idem), 2021




Cheguei atrasado no trem com destino a Birmingham, mas praticamente ileso de spoilers e sem arrependimentos. Maratonar as 5 primeiras temporadas de Peaky Blinders foi uma atividade (in)tensa e prazerosa, acompanhada de personagens interessantes, trilha sonora marcante, fotografia exuberante e diálogos afiados em uma trama de crime das melhores. Agora me junto a uma legião de fãs curiosos, aguardando ansiosamente a chamada para embarcar na temporada final.

Peaky Blinders (1a a 5a temporadas), 2013-2019




Ao que escrevi sobre a primeira temporada de Love Death and Robots ("no geral, o resultado me desapontou. Apesar de muito bem produzidas, as histórias não empolgam e poucas se mostram memoráveis. Pelo menos a duração reduzida atenua a sensação de tempo perdido"), tenho a acrescentar para a segunda temporada apenas que não só a duração é reduzida, mas também a quantidade de episódios. Vago e sem graça? Sim, mas assim também é a série. 

Love, Death and Robots (2a. temporada), 2021




segunda-feira, 31 de maio de 2021

Criamos um monstro


E aquela brincadeira foi parar no Festival de Cinema Infantil 2o É Tudo Criança!


07 a 11 de junho, somente on-line.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Na linha da ficção-científica, ponto pra animação


Sem parecer um exercício de estilo, mas aproveitando os diversos temas do enredo (tradição de família, impacto da tecnologia, domínio da cultura pop digital atual), a animação de primeira qualidade de A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas destaca-se com sua mescla de técnicas. Servindo a uma história de amadurecimento, principalmente focado no relacionamento entre pai e filha e o choque de gerações, o filme é uma aventura empolgante, ao mesmo tempo sentimental e engraçada. Vale assistir uma segunda vez, pois muita coisa boa acaba sendo esquecida após as insanidades hilárias do terceiro, que inclui referências inesperadas (desde Mad Max: Estrada da Fúria a animes de samurai) e um semi-antagonista dizendo em voz alta uma das reflexões da história: "acho que foi ruim coletar informações pessoais de todo o mundo e alimentar uma inteligência artificial". 

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas (The Mitchells vs the Machines), 2021




O histórico -vejam só- caótico da produção de Mundo em Caos (problemas de bastidores, refilmagens extensivas, adiamentos no lançamento mesmo antes da pandemia) era um mau presságio. Mas, com um elenco de destaque e uma premissa intrigante, não tinha como não arriscar uma conferida. Triste constatar que o longa realmente não cumpre sua promessa e desenvolve pouco sua ideia - se as pessoas não conseguissem esconder o pensamento, seria um caos. O roteiro pedestre acaba criando um mundo distópico até organizadinho demais e o povoa com personagens aborrecidos, incluindo os secundários.

Mundo em Caos (Chaos Walking), 2021




As boas atuações e as restrições do ambiente, sob um visual bem cuidado embora pouco imaginativo, poderiam elevar Passageiro Acidental a um outro patamar se o roteiro se propusesse a explorar mais as possibilidades do dilema que estabelece e seus efeitos morais e psicológicos. Porém, mesmo evitando clichés o longa acaba sendo raso, ausente de novidades e, mesmo com menos de 2h de duração, não consegue deixar de ser arrastado.

Passageiro Acidental (Stowaway), 2021




quarta-feira, 28 de abril de 2021

Espairecida pós Oscar


Pensando em retrospecto, nem sei porque decidi assistir Godzilla vs. Kong, já que dos três filmes lançados do tal MonsterVerse, eu havia visto apenas um, Kong: A Ilha da Caveira (ignorando o primeiro, Godzilla de 2014, e pulando o terceiro, Godzilla II: Rei dos Monstros). Por outro lado, sei bem porque vi o filme: queria uma diversão grandiosa em que eu não precisasse pensar muito - apenas sentar e curtir. Eu só não sabia que, mesmo com um elenco respeitável desses, eu teria era que desligar o cérebro totalmente para aguentar personagens inexistentes, com diálogos ridículos, na quase uma hora e meia que "preenche" a meia hora de diversão grandiosa.

Godzilla vs. Kong (idem), 2021




Prato cheio para quem é fã de Borat e Jackass, Bad Trip é concebido como se os irmãos Farrelly resolvessem fazer uma de suas comédias escrachadas usando pessoas reais e desavisadas como figurantes nas suas costumeiras cenas, digamos, inusitadas. O humor predominante tosco e grosseiro não é para todos (definitivamente não é para a família), mas algumas sequências conseguem arrancar boas risadas. Os créditos finais oferecem um pouco de alívio do sentimento de culpa que fica no espectador ao mostrar os bastidores das reações de algumas das vítimas das pegadinhas, após a revelação da verdade.

Bad Trip (idem), 2021




Num mundo pós John Wick e Atômica, há pouca novidade em Anônimo, com sua violência ao mesmo tempo crua e performática. Ainda que tenha um roteiro bem básico, que invoca a ultrapassada essência dos filmes dos anos 1980 da masculinidade por meio da brutalidade, o longa até funciona supreendentemente bem, especialmente por conseguir vender Bob Odenkirk como um herói de ação. Mais conhecido por papéis mais falastrões e cômico-irônicos, mas que demandam pouca fisicalidade, como o Saul Goodman de Breaking BadBetter Call Saul, fica a torcida para que o ator não decida se transformar em um novo Liam Neeson.

Anônimo (Nobody), 2021




quarta-feira, 21 de abril de 2021

Noscardamus 2021

Sem delongas, em negrito, meus palpites sobre quem serão os premiados com Oscar.

Atualização: sublinhados, os vencedores.


MELHOR FILME

Meu pai
Judas e o messias negro
Mank
Minari - Em busca da felicidade
Nomadland
Bela vingança
O som do silêncio
Os 7 de Chicago


MELHOR DIREÇÃO

Thomas Vinterberg (Druk - Mais uma rodada)
David Fincher (Mank)
Lee Isaac Chung (Minari - Em busca da felicidade)
Chloé Zhao (Nomadland)
Emerald Fennell (Bela vingança)


MELHOR ATRIZ

Viola Davis (A voz suprema do blues)
Andra Day (Estados Unidos Vs Billie Holiday)
Vanessa Kirby (Pieces of a woman)
Frances McDormand (Nomadland)
Carey Mulligan (Bela vingança)


MELHOR ATOR

Riz Ahmed (O som do silêncio)
Chadwick Boseman (A voz suprema do blues)
Anthony Hopkins (Meu pai)
Gary Oldman (Mank)
Steve Yeun (Minari)


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Maria Bakalova (Borat: fita de cinema seguinte)
Glenn Close (Era uma vez um sonho)
Olivia Colman (Meu pai)
Amanda Seyfried (Mank)
Yuh-Jung Youn (Minari - Em busca da felicidade)


MELHOR ATOR COADJUVANTE

Sacha Baron Cohen (Os 7 de Chicago)
Daniel Kaluuya (Judas e o messias negro)
Leslie Odom Jr. (Uma noite em Miami)
Paul Raci (O som do silêncio)
Lakeith Stanfield (Judas e o messias negro)


MELHOR FILME INTERNACIONAL

Druk - Mais uma rodada (Dinamarca)
Shaonian de ni (Hong Kong)
Collective (Romênia)
O homem que vendeu sua pele (Tunísia)
Quo vadis, Aida? (Bósnia e Herzegovina)


MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Borat: fita de cinema seguinte
Meu pai
Nomadland
Uma noite em Miami
O tigre branco


MELHOR ROTEIRO ORIGINGAL

Judas e o Messias negro
Minari - Em busca da felicidade
Bela vingança
O som do silêncio
Os 7 de Chicago


MELHOR ANIMAÇÃO



MELHOR FOTOGRAFIA

Judas e o messias negro
Mank
Relatos do mundo
Nomadland
Os 7 de Chicago


MELHOR EDIÇÃO

Meu pai
Nomadland
Bela vingança
O som do silêncio
Os 7 de Chicago


MELHOR TRILHA SONORA

Destacamento blood
Mank
Minari - Em busca da felicidade
Relatos do mundo
Soul


MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

"Fight for you" (Judas e o messias negro)
"Hear my voice" (Os 7 de Chicago)
"Husa'vik" (Festival Eurovision da Canção: A saga de Sigrit e Lars)
"Io sì" (Rosa e Momo)
"Speak now" (Uma noite em Miami)


EFEITOS VISUAIS



MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Meu pai
A voz suprema do blues
Mank
Relatos do mundo
Tenet

MELHOR FIGURINO

Emma
A voz suprema do blues
Mank
Mulan
Pinóquio


MAQUIAGEM E CABELO

Emma
Era uma vez um sonho
A voz suprema do blues
Mank
Pinóquio


MELHOR SOM

Greyhound: Na mira do inimigo
Mank
Relatos do mundo
Soul
O som do silêncio


COMENTÁRIO: Houve algumas surpresas, mas nada absurdo - quase sempre o "favorito" foi ali desbancado pelo "provável segundo colocado". De qualquer forma, atingi meu recorde pessoal de erros este ano, sete (doze acertos em dezenove), alguns deles até bem vindos.