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terça-feira, 30 de julho de 2024

A evolução da espécie (ou Let it go!)

Bom, vocês dois aí que ainda acessam o blog perceberam que a minha falta de tempo o deixou jogado às traças...

Então vou migrar para uma plataforma mais fácil e dinâmica que sempre me recomendaram, mas que a minha falta de tempo não me permitiu investigar: o Letterboxd.

Ainda estou fuçando lá para aprender e vez ou outra darei notícia aqui, mas por enquanto podem acompanhar a minha lista dos assistidos este ano, que será atualizada dinamicamente:


https://boxd.it/xvmo0


(Não se preocupem, lá tem também o esquema de pontuação igual ao daqui e a lista está rankeada)


Nos vemos lá! Caso contrário: Bom dia, Boa tarde e Boa noite!

terça-feira, 8 de março de 2022

Gostar ou não gostar...


Sempre me vi envolvido em debates dizendo "só porque você gosta do filme não significa que é bom e só porque você não gosta não significa que é ruim", complementando que "não gostar de algo que é avaliado como bom é muito normal, pois gosto é subjetivo e envolve emoção e histórico pessoal".

Como constantemente esbarro em resistência bruta à esta linha, muitas vezes pondero se de repente não estou simplesmente errado. Então, é um alívio (com pitada de orgulho) descobrir grandes mentes com a mesma linha de pensamento.

Pra ficar perfeito, só faltou Leandro Karnal incluir '...filmes...' no final deste texto.


Você gosta de arte?

Eu amo. Eu era fascinado pelos quadros que encontrava em livros de arte. Ficava vendo e passando o dedo muito antes de compreender qualquer conteúdo ali representado.

Parece que havia nomes que eu sempre soube, ou, pelo menos, nunca me lembro de ter visto pela primeira vez: Leonardo, Michelangelo, Rafael.

Há nomes que vieram depois: Mondrian, De Chirico, Lichtenstein.

Por fim, existem escolas que descobri muito tarde, como os Nazarenos Alemães.  

Da mesma forma, quase sempre sei quando vi uma obra-prima pela primeira vez.

A 'Mona Lisa' no Louvre, a Capela Sistina no Vaticano, o 'Abaporu' em Buenos Aires, 'A Tempestade' em Veneza.

Em alguns casos, fui a um museu só para ver um quadro, exclusivamente um: foi o caso da pintura 'O Balanço', de Fragonard, na Coleção Wallace, em Londres.

Aliás, não consigo recordar de nenhuma outra obra naquela mansão inglesa, ainda que seja um espaço muito agradável.

O Balanço - Jean-Honoré Fragonard (1767)

Quero falar de outra coisa.

Foi em algum ano da década de 1990. Eu tinha saído de horas no Museu do Prado, em Madri, e ainda tinha uma hora para aproveitar a luz e um museu aberto.

Caminhei até o Museu Rainha Sofia, a poucos metros dali. Objetivo? A 'Guernica', de Picasso.

Eu já era professor de História e, claro, já tinha falado do Cubismo, da Guerra Civil Espanhola, o bombardeio de Guernica e, por fim, a exposição de Paris na qual o quadro foi mostrado ao público.

Era um quadro repleto de história e de significado, uma das obras-primas do século 20.

Cheguei ao museu e fui direto à sala da obra. O tempo era curto. Naquela época, a gente olhava mais e fazia menos fotografias.

Fiquei ali, por uns 30 minutos, admirando o imenso painel em preto, branco e cinza. É uma obra, de fato, impressionante. 

Saí já cansado de muitas horas de pé e refleti comigo: Picasso é um gênio, o quadro é extraordinário, a obra tem significado artístico e histórico impactante e... eu não gosto.

Sim, confesso: o cubismo é muito importante, uma revolução que já expliquei inúmeras vezes para alunos e interessados.

Já fui com grupos ao MoMA, em NY, e ficava diante  de 'Les Demoiselles d’Avignon', mostrando o que representa aquela obra brilhante. E, mesmo assim, continuo não gostando de Picasso.

Guernica - Pablo Picasso (1937)

O pintor espanhol é um gênio e mudou os rumos da nossa percepção artística. Quem disser o contrário pouco sabe de arte. 

Quando digo que não gosto, é que vejo no cubismo sintético e analítico um exercício matemático, como vejo no chamado dodecafonismo musical.

São experiências racionais muito boas e necessárias. Jamais imaginaria ler um belo livro, ouvindo uma peça dodecafônica.

Quando eu digo não gosto, significa que compreendo um pouco do quadro, reconheço a inteligência dele, vejo ali um olhar que provocou uma ruptura de paradigma estético e, nada emotivo, intenso ou capaz de mover meu eu interior para sair da zona racional.

Quando fiquei a primeira vez diante dos quadros sobre São Mateus em Roma, na igreja de São Luís dos Franceses, comecei a chorar, a rir, a ficar mais bobo do que o normal ao ver a 'Vocação de São Mateus', de Caravaggio.

Não sabia bem o que dizer e, creio que, vinte anos depois, ainda não sei. A diferença entre as duas experiências? 

Picasso é uma genial equação matemática sobre o espaço; Caravaggio joga minha consciência no chão e me obriga a sentir coisas fora do comum.

A Vocação de São Mateus - Caravaggio (1599)

A arte é um signo aberto e o cérebro de qualquer pessoa é ainda mais randômico. Não existe uma explicação causal.

O plano cartesiano claudica no campo estético. Ocorre o mesmo com música e com esculturas.

Por vezes, leio um livro mediano e fico muito tocado. Já confessei, publicamente, que há clássicos da literatura que comecei a descobrir porque eram aclamados como importantes e segui a leitura … por birra. 

Esse e-mail é para que as pessoas se sintam um pouco mais livres para dizerem o que pensam de quadros, esculturas, músicas e textos que são incensados por muitos e que, por algum motivo, não fazem morada no seu afeto. 

Sejamos todos sempre livres para nosso prazer e gosto.

Apenas reconheçamos: meu gosto individual não canoniza alguém e nem derruba um clássico. 

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Agora é pessoal

Agora está assim: se passo mais de um mês sem postar aqui, bate aquela vontade de desistir.

Falta tempo pra assistir, falta mais tempo pra escrever. Nessa última "recaída", me veio à cabeça a frase filosófica que apareceu certa vez num saquinho de chá: "Antes de desistir, lembre-se por que começou."

Como não é recomendado ignorar estes sinais que saquinhos de chá e biscoitos da sorte nos mandam, me recordei que comecei este blog por dois motivos: 1) eu queria parar de chatear as pessoas com tanto assunto de filme, pessoalmente ou por e-mail; e 2) eu queria registrar, pra mim mesmo, que fosse, minhas impressões e comentários sobre filmes, séries, a vida, o universo e tudo mais.

O motivo 1 nunca foi cumprido. Eu não consegui parar de chatear as pessoas com tanto assunto de filme, pessoalmente ou por e-mail (nem, numa segunda geração, por WhatsApp). Aliás, eu não consegui parar de chatear as pessoas, ponto.

O motivo 2 acabou sendo a verdadeira força-motriz do blog. Mas, percebi que acabei me desviando do propósito de fazer algo mais intimista ao tentar imprimir nos textos (que acabaram virando só "parágrafos") uma impessoalidade prepotente, até arrogante.

Afirmações como "o filme é" ou "o espectador percebe", teriam sido mais honestas e humildes, se tivessem sido registradas como "minha opinião é" ou "eu percebo". Talvez assim eu teria tido mais tempo para o blog: não procurando adjetivos para supostamente julgar objetivamente diversos aspectos das produções, mas buscando palavras certas para tentar expor meus sentimentos subjetivos com relação às obras.

Então, a ideia agora é tentar dar continuidade dessa nova forma, mais pessoal.

Sem abandonar o padeçômetro, claro, que vai estar mais para alguma escala de "Não Gostei"/"Gostei" do que a atual de "Ruim"/"Bom". Mas, pra facilitar (e polemizar), vou deixar do jeito que tá...

Assim, vamos lá mais uma vez: O que dizemos para o Deus da Morte dos Blogs?


Hoje não.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

In the most delightful way...


Tem vários musicais que são clássicos e simplesmente demais.

James Corden também pensa assim e convidou em seu talk-show os astros de O Retorno de Mary Poppins, Emily Blunt e Lin-Manuel Miranda, para homenagear vinte e dois deles, ao vivo, duma vezada só:


Presentinho de Natal legal. Dava pra continuar assistindo pelo dobro do tempo...

domingo, 2 de dezembro de 2018

Dez!


Novembro passou voando e um marco passou batido!

Foi no final de um mês de Novembro, em 2008, que este blog começou. Ou seja, o Padecin fez dez anos de existência!


Com mais baixos que altos e apenas 535 postagens, mas... persistindo. Afinal, uma ideia é a coisa mais resiliente que existe (aprendi em A Origem).

Agradeço a todos os meus leitores estes anos e, principalmente, aos que ainda continuam aparecendo por aqui (vocês cinco sabem quem são, rsrs).

E vamos seguindo. Por mais quanto tempo, sabe-se lá.

Quem sabe? (aprendi em  O Blade Runner - O Caçador de Andróides)

sábado, 24 de novembro de 2018

Uma imagem vale mais que mil nomes


Um colega me mandou a interessante escalação da Comic Con Experience em SP este ano:







 e...



Eu sabia que se o M. Night fizesse plástica demais ia acabar parecido com o Bruce Willis...

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Não deixe o blog morrer, não deixe o blog acabar...


"Não diga que você não tem tempo, seja honesto e diga que não é sua prioridade."

Li essa frase outro dia e ela me desarmou na desculpa de 'não ando tendo tempo pro blog'.

Há mais de dois meses não publico nada por aqui, apesar de já ter assistido nesse ínterim a séries e filmes (poucos, é verdade, mas...) que poderiam ter rendido comentários. Mesmo ainda gostando da ideia de fazer um registro para mim mesmo no futuro (e para as duas ou três boas almas que persistem em gastar tempo com o Padecin), o fato é que o temp... as prioridades pessoais e profissionais se sobrepuseram e restou ao blog bolas de feno rolando como numa cidade-fantasma ao som de um tema melancólico de faroeste.

Cheguei em pensar num post derradeiro encerrando as atividades, mas ficou o receio de bater um arrependimento depois. Novembro está logo ali com o marco de 10 anos após a primeira postagem. Seria possível esticar um pouquinho mais a sobrevida do blog para alcançar esta data simbólica? E de repente a empolgação e as prioridades se rearranjariam?

Bom, vou tentar.

De cara, acho que o objetivo é fazer um post periódico com tudo que assisti desde o post anterior, contendo apenas um resumo do que eu iria escrever sobre cada filme (que já eram textos pequenos) e simplesmente jogando a nota que eu iria dar. Cúmulo da preguiça na era em que ler é um luxo.

Mas, ao menos uma vez por mês nas atuais circunstâncias é algo factível. Não é bem uma meta - vou deixar a meta aberta, mas, quando atingir a meta, vou dobrar a meta. Aí, dobrando a meta, de repente aos poucos volto ao ritmo das épocas de glória do blog.

De qualquer forma, declaro o Padecin ressuscitado.


Mesmo que corra o risco mais de parecer um twitter.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Relembrar pra não repetir


Aproveitando que está chegando a grande noite do cinema, vou fazer um repost de um texto que escrevi para o portal de gestão de projetos PMKB pouco após o Oscar do ano passado...

"
Anatomia de um erro


Não houve destruição, danos materiais, feridos nem morte. Mas, em termos de imagem, reputação profissional e abalo emocional, o fiasco no anúncio do Melhor Filme no Oscar de 2017 foi uma verdadeira catástrofe. E, como toda catástrofe, não foi causada por um só erro, mas uma sucessão deles. O que resta é entender o que aconteceu e tirar lições importantes, para que não sejam repetidas. Mesmo quem nunca vai ter ocupação ou projeto relacionado com anúncio de vencedores tem o que refletir.


O cenário

Considerada a maior premiação mundial do cinema, a cerimônia de entrega do Oscar é um evento formador de opinião em diversas áreas e que já chegou a 55 milhões de espectadores nos EUA, atraindo outras centenas de milhões ao redor do mundo todo ano. Além de promover um aumento considerável das bilheterias dos vencedores, pode também nortear a empregabilidade de vários envolvidos na indústria cinematográfica, ditar moda e engajar discussões políticas. Os premiados são guardados com extremo sigilo nem tanto pela graça da surpresa do anúncio ao vivo, mas porque também movimentam o milionário mercado das casas de apostas tradicionais e de sites globais.


Como funciona

Os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (atualmente 6.687 profissionais do cinema entre atores, diretores, produtores, roteiristas, figurinistas, compositores, etc, que incluem brasileiros como Fernando Meirelles, Walter Salles e Fernanda Montenegro) votam para escolher os indicados em 24 categorias, dentre os filmes lançados no ano anterior que atendem às regras de elegibilidade da Academia. Após a divulgação dos concorrentes de cada categoria, inicia-se a votação que define o vencedor em cada uma delas. A festa de premiação é normalmente marcada para cerca de um mês após e os membros têm prazos determinados para submeter por correio os seus votos. A empresa de auditoria e consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) é a responsável pela contabilização sigilosa dos votos - somente dois de seus membros se envolvem no processo e ficam sabendo o resultado, sob forte acordo de confidencialidade. Estes dois membros da PwC montam os envelopes com os cartões que apontam o vencedor de cada categoria. No cartão há o nome do vencedor e logo abaixo o filme pelo qual ganhou o prêmio. No rodapé, em letras pequenas, está escrito a categoria. No caso de Melhor Filme, a única diferença é que primeiro vem o nome do filme e logo abaixo o nome dos produtores do mesmo. São gerados dois envelopes para cada prêmio, sendo que cada um dos dois consultores fica com uma cópia durante a cerimônia. Nos bastidores da premiação, um consultor se posiciona à direita do palco e outro à esquerda, para atender aos apresentadores. Quando um consultor entrega o envelope que vai ser aberto, o outro elimina a sua própria cópia. Além disto, ambos memorizam todos vencedores para atuar com rapidez caso algum imprevisto aconteça.


Principais envolvidos na gafe do Oscar 2017

Warren Beatty e Faye Dunaway - atores veteranos, do clássico Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas, que foram escolhidos para apresentar e entregar o último e mais importante prêmio da noite: Melhor Filme.
Brian Cullinan e Martha Ruiz - experientes consultores da PwC, designados para este Oscar
Produtores de La La Land: Cantando Estações - considerados os favoritos para vencer Melhor Filme
Produtores de Moonlight: Sob a Luz do Luar - considerados como a maior ameaça a La La Land
Emma Stone - atriz de La La Land que veio a vencer Melhor Atriz, o antepenúltimo prêmio da noite


O que todo mundo viu

Quando chegou o grande momento, Warren Beatty abriu o envelope de Melhor Filme e, sorrindo, hesitou durante alguns segundos. A plateia riu, achando que ele estava querendo aumentar o suspense. Ele acabou mostrando o cartão para Faye Dunaway que anunciou La La Land como Melhor Filme. Os produtores subiram no palco, levando consigo a equipe e elenco, e começaram seus agradecimentos, já com as estatuetas em mãos. Aos poucos se formou um vai-e-vém atrás dos discursantes e, longos minutos depois, um produtor de La La Land acabou informando que havia um erro e mostrou o cartão do verdadeiro vencedor: Moonlight. Todo um constrangimento se estabeleceu e Warren Beatty foi ao microfone esclarecer que no envelope dele estava escrito "Emma Stone - La La Land", por isso havia hesitado. Finalmente, os produtores de Moonlight apareceram para -sem graça- receber o prêmio e agradecer.

Foto: Produtor de La La Land mostra o cartão de Melhor Filme


A sequência de erros

1) O consultor Brian Cullinan não eliminou seu envelope de Melhor Atriz depois que Martha Ruiz entregou o seu para o apresentador que anunciou Emma Stone como vencedora. Há relatos de que Brian 'twittou' ferozmente durante a noite, inclusive colocando uma foto da Emma Stone nos bastidores com a estatueta na mão;

2) Warren Beatty, sob pressão, imaginou que podia ter algo errado - afinal, Emma Stone não era produtora de La La Land, mas não agiu. Aliás, agiu errado: a) falhou em perceber que embaixo, em letras pequenas, estava escrito Melhor Atriz; b) não buscou assistência com um dos dois consultores da PwC; c) mostrou o cartão para Faye Dunaway achando que ela não ia simplesmente ler o nome do filme, mas que iria tentar ajudá-lo a decifrar o que estava acontecendo;

3) Faye Dunaway simplesmente leu o nome do filme, ignorando os demais dizeres;

4) Os produtores de La La Land, no calor do momento, dá para entender, sequer olharam para o cartão escrito Emma Stone;

5) Martha Ruiz e Brian Cullinan demoraram, muito, para reagir e corrigir.


Foto: Warren Beatty segurando o envelope errado


Lições Aprendidas

Atenção aos procedimentos:
Brian Cullinan cometeu a falha inicial e principal da catástrofe. Não seguiu os procedimentos, deixou de executar uma ação simples. Muito comum em, mas não exclusivo de, profissionais experientes como ele, a tendência de subestimar tarefas fáceis e corriqueiras pode ser o pilar de um erro fatal. E, novamente Brian, junto com Martha Ruiz, não soube aplicar o procedimento que demandava uma reação rápida e precisa em caso de engano no anúncio do vencedor.

Comunicação correta:
Alicerce do sucesso ou fracasso de qualquer projeto, empreendimento ou relacionamento, a comunicação (ou a falta dela) foi primordial para agravar a falha. Começando por Brian Cullinan, que utilizava a ferramenta de comunicação errada (Twitter), no momento errado, para as pessoas erradas. Warren Beatty não soube aproveitar a totalidade da informação escrita que lhe foi entregue, não se permitiu comunicar com as pessoas que poderiam precisamente esclarecer sua dúvida e apenas deixou subentendida sua intenção ao mostrar o cartão a Faye Dunaway. Ela, por sua vez, cometeu a mesma primeira falha de Warren e ainda deu o golpe final fazendo o anúncio publicamente.


Desta vez tudo isto pode ser visto só como uma gafe que mexeu com os ânimos de alguns milionários de Hollywood, causou o afastamento de dois consultores da PricewaterhouseCoopers, rendeu centenas de memes internet afora e marcou negativamente a história do Oscar para sempre. Mas, desatenção e falha de comunicação podem ser o que separa a normalidade de uma verdadeira tragédia.
"

Particularmente, se eu fosse o apresentador do Melhor Filme este ano, abriria o envelope e diria: "Ah, o envelope certo!", seguido de: "Moonlight!", antes de dar uma pausa e anunciar o verdadeiro vencedor.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Isto(não)É


Qualquer texto da Isto É hoje em dia tá parecendo jogo dos 7 erros:


Desse jeito até eu tô escrevendo melhor que a revista.

(se estiverem pensando, o sétimo erro é a falta de coerência ao escrever 'Steppenwolf'' em vez de 'Lobo da Estepe')


NOTA importante (não é fake news): este é a postagem de número 500 do blog! A que ponto chegamos...
0,5mil.


terça-feira, 7 de novembro de 2017

Goonedry


Os Goonies, um dos melhores filmes da década de 1980.

Jurassic Park - O Parque dos Dinossauros, um dos melhores filmes da década de 1990.

Dois filmes que vi, revi e vi de novo incontáveis, incansáveis vezes.

E mesmo fã confesso de Spielberg, produtor de Goonies e diretor de Jurassic Park, nunca reparei o que um internauta parece ter percebido esses dias, tantas décadas depois:


É isso mesmo, aparentemente o figurino de Dennis Nedry na Ilha Nublar é uma homenagem aos três principais personagens das Docas Goon. Não há como ser só coincidência.

E que comecem as teorias de um "Spielberg Cinematic Universe", onde um dos garotos cresceu, virou hacker e mudou de nome.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Só com favas e um bom Chianti


Não que isso faça diferença alguma para ele -ou para o mundo- e nem que isso diminua seu magnífico trabalho, mas... não sei mais o que pensar de Sir. Anthony Hopkins.


Alguns trechos da entrevista que concedeu à revista Preview de Julho/17 (Ed. 94) em ocasião do lançamento do seu filme mais recente... ehrrr... Transformers: O Último Cavaleiro:

(...)

O que o senhor gosta neste filme e nesta franquia?
Eu só gosto de trabalhar. É isso.

Mas esse é o tipo de produção que o atrai?
Não, é apenas um filme bom e divertido que resolvi fazer.

(...)

Acha que tem algum filme que todos deveriam ver?
Oh, Deus, eu não sei. Eu não sei. Eu não tenho nenhum interesse neles, realmente.

O senhor assiste a filmes frequentemente ou séries de TV?
Não.

Mas assiste aos filmes e seriados em que trabalha?
Não. Se eu fiz, está feito e acabou.

Gosta de ir ao cinema?
Não. Só assisto na televisão a clássicos e filmes antigos.

Quem foi o melhor diretor com quem trabalhou?
Acho que Michael Bay é um dos melhores junto com Spielberg e Oliver Stone.

(...)

Ele tem 80 anos de idade, 50 de carreira. Quem sou eu pra pensar qualquer coisa...

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Que faites-vous dans la vie?


Para quem sempre teve um mínimo de curiosidade em saber o que faz aquele monte de pessoas cujos nomes aparecem na tela do cinema enquanto, segurando a bexiga, espera pela cena bônus de um filme da Marvel, o ótimo canal FilmmakerIQ trouxe a resposta. Já tentei, mal e vagamente, fazer uma analogia macro com estrutura de projetos, da organização e do ciclo de uma produção cinematográfica, mas este video traz de forma clara e aprofundada todas as (principais) funções de um filme de grande porte:


Agora dá para entender aquele 'clichê' dos ganhadores do Oscar, "Ai, tem tanta gente pra agradecer...", né?


PS.: o título deste post é uma piada interna e a resposta é "cocô de bebê". Por algum motivo sem explicação, na época em que meu irmão era um bebezinho meu pai falava essa frase em francês ("o que você faz da vida?" ou "com o que você trabalha?"). Sonoramente, a tradução pedia resposta para um "o que fede na vida?"
(ATUALIZAÇÃO: Fui muito bem lembrado de que a resposta correta era também em francês: "C'est la mère des enfants", que sonoramente...)

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Lei de Lavoisier no cinema?


Hollywood fez uma refilmagem de O Segredo dos Seus Olhos, o longa argentino vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro em 2010. Hollywood está fazendo uma refilmagem de Intocáveis, o longa francês indicado ao Globo de Ouro de Filme Estrangeiro em 2013. Hollywood vai fazer uma refilmagem de Toni Eerdmann, o longa alemão indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro esse ano.

Os exemplos são inúmeros e as reações são sempre as mesmas: "Desnecessário!"; "Pra quê???"; "Não tem como ser melhor..."; "É preguiça de ler legenda?".

Malditos americanos. Certo?

Hmmmm...

Aí, num clica aqui, clica ali do IMDb a pessoa descobre a existência de Gôsuto:


Sim, uma refilmagem japonesa de Ghost: Do Outro Lado da Vida.



E com uns cliques a mais:





Isso só pra pegar umas amostras do eixo China/ Japão.

Se for verificar o que se passa na Índia, são incontáveis as releituras americanas feitas por Bollywood.

Alguns exemplos?






É... agora a turma do Tio Sam não parece tão má assim.


quarta-feira, 8 de março de 2017

Mulheres


Neste Dia Internacional da Mulher, um momento para relembrar o Teste de Bechdel:


Claro que existem filmaços que não deixam de ser excelentes só porque não passam no teste, e a solução não é forçar um roteiro só para atender às regras básicas. Mas, vale uma reflexão geral sobre o cinema da atualidade.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Olha o passarinho...


Esquentando os tamborins para a mais importante e tradicional festa de fevereiro, que este ano vai acontecer no último fim de semana do mês, um canal do YouTube montou um rápido clipe com todos os vencedores do Oscar de Melhor Fotografia, desde 1927 até o ano passado.

Vale clicar em tela cheia para relembrar belas imagens destes filmes marcantes e notar a evolução da técnica ao longo dos anos:



PS.: Bom rever também cenas dos indicados deste ano (torço por A Chegada, mas fico igualmente satisfeito com uma vitória de La La Land).

sábado, 17 de dezembro de 2016

Store Wars


Entro numa tradicional loja de brinquedos em busca de um sabre de luz de presente pro Natal. Tentando evitar um diálogo fatalmente nada esclarecedor com algum vendedor só de olho na meta de fim-de-ano, me dirijo à área da loja onde estavam estes itens algumas semanas atrás.

Para minha surpresa e desânimo não vejo os sabres. Uma vendedora percebe meu semblante de perdido e o inevitável acontece:

- Procurando algo específico?

- Errr... Sim. Vocês têm sabres de luz?

Recebo uma cara de interrogação e espanto como se eu tivesse acabado de perguntar sobre a transformada de Fourier.

Tento explicar:

- Aquelas "espadas laser" do Guerra Nas Estrelas...

- Ah... não. Do Guerra Nas Estrelas não temos, não. Só do Star Wars.

O.. K...

- Tá, pode me mostrar?

Sou conduzido para a seção de artigos de Star Wars. E ali fico abandonado...

- Viu? Só Star Wars mesmo.

Começo a analisar as opções e do meu lado esquerdo uma vendedora mostra a máscara do Kylo Ren para uma cliente.

- Esse é o vilão do momento.

- Ah é? E aquele relogiozinho ali?

- É do Darth Vader. Ele é popular também.

- Mas eu não quero levar de gente do mal, não. Vou levar este daqui.

E ao pegar um relogiozinho de Stormtrooper ela olha para mim buscando aprovação (segurando três tipos de sabre de luz diferentes, certamente sou um especialista no assunto).

- Bom, pra te dizer a verdade todos esses dois são do mal.

E tento me concentrar, para resolver logo minha vida. Onde esconderam o sabre de luz verde???

Do meu lado direito, duas donas mexendo nos bonequinhos:

- E essa daqui ninguém sabe quem são os pais dela, é o grande mistério da história.

- E esse daqui?

- Ah, esse aí é mais ou menos, ele é o pai do vilão e morre no fim do filme.

Affffff.

- Hmmm... não, eu quero levar o mais legal. Tem que ser o mais legal de todos.

Sou salvo pela Força, encontro o sabre de luz verde e saio correndo em direção ao caixa.

Na saída, ainda esbarro com esta última dona.

Na mão, o bonequinho do Jar Jar Binks.


domingo, 2 de outubro de 2016

Save the clock tower


Hoje é dia de votar.

Também é o momento de publicar, com atraso de mais de dez dias, este vídeo super-bacana que mostra o contraponto das divertidas eleições americanas em relação às nossas campanhas, chatas e por vezes ridículas.


Vamos lá, aqui também: salvem o dia e salvem nossas cidades.

domingo, 18 de setembro de 2016

A politizada (e chata) Era de Aquarius


Faz uma semana que Pequeno Segredo foi escolhido pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil na corrida por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e tudo o que se ouve a respeito do filme é como que foi uma grande injustiça ele ter tomado o devido lugar de Aquarius.

Não vi nenhum dos dois filmes (um porque não tive o menor interesse e outro porque, estranhamente - mas não fora das regras da Academia, sequer foi exibido ainda no país), mas proponho algumas reflexões sobre a reação geral das pessoas, que andam criticando fortemente esta escolha. E, embora não seja possível deixar a polêmica política de lado, vou tentar deixar minhas convicções pessoais fora disto.

Aparentemente por ter sido bem recebido em Cannes, entre outros festivais, Aquarius ganhou o status de candidato natural do Brasil na disputa ao Oscar. Mas, o que verdadeiramente levou o filme de Kleber Mendonça Filho às manchetes foi o fato do diretor e elenco, que inclui a renomada Sônia Braga, terem protestado no tapete vermelho de Cannes contra o processo de impeachment da então presidente afastada Dilma Roussef. Daí, o clima de guerra polarizada que tomava conta das discussões políticas do país, migrou também para o mundo do cinema. Com a inclusão de um jornalista abertamente anti-Dilma na comissão julgadora que iria eleger o candidato, os produtores de Aquarius já adotaram uma postura defensiva, moldando uma situação em que se o candidato óbvio não fosse escolhido, estaria configurada uma manobra do governo recém-assumido em retaliação às suas manifestações.


Considerando que praticamente ninguém assistiu a Pequeno Segredo, minha primeira reação foi: como que as pessoas estão condenando o filme, rebaixando-o ao status de não merecedor? Baseado num trailer? Num cartaz? Num "ouvi falar"? Será que ninguém cogita a hipótese de Pequeno Segredo ser realmente melhor que Aquarius?

A divagação se estende: será que ninguém cogita a hipótese de Pequeno Segredo ser melhor para o Oscar que Aquarius? Analisemos os seguintes filmes: O Refúgio; Sono de Inverno; Azul É a Cor Mais Quente; Amor; A Árvore da Vida; Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas; A Fita Branca; Entre os Muros da Escola; 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias; Ventos da Liberdade. Badalados em tantos festivais, estes são os dez últimos vencedores da Palma de Ouro - o prêmio máximo de Cannes. Destes todos, apenas dois - Amor e A Árvore da Vida - tiveram alguma indicação da Academia. O Oscar é o prêmio máximo do cinema, mas, assim como qualquer outro tipo de premiação subjetiva, tem seu estilo e suas predileções peculiares. Afinal, é praticamente todo ano que ele é acusado de "errar" em algumas de suas premiações. Será que Forrest Gump é realmente melhor que Um Sonho de Liberdade? E quanto a Shakespeare Apaixonado ganhar de O Resgate do Soldado Ryan?? Como assim Hitchcock e Kubrick nunca levaram estatueta de Melhor Diretor???

Toda esta comoção e revolta acabam soando como uma grande arrogância dos que estão por trás de Aquarius. E um grande e lamentável desmerecimento de Pequeno Segredo, bem como de qualquer um dos outros concorrentes. E se Chatô - O Rei do Brasil tivesse sido o escolhido? E se fosse Mais Forte Que o Mundo - A História de José Aldo? Ou Nise - O Coração da Loucura? Ou Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil ou Começo da Vida ou qualquer um dos outros dez que também estavam no páreo?

E se não tivesse rolado protesto algum em Cannes e a escolha da comissão tivesse sido exatamente a mesma?


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Quem sabe um dia...





(na verdade foi o único texto que consegui pensar com 'Padecin' que ficasse com um visual parecido com o original - essa fonte é muito legal)

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Hook faz 25 anos (ou por que Stranger Things tem que voltar -e acabar- logo)


Ensaio fotográfico com os garotos perdidos de Hook - A Volta do Capitão Gancho 25 anos depois.









Como disse um amigo meu, que permanecerá anônimo por motivos óbvios: "Tenho que aproveitar meus sobrinhos antes que cresçam mais um pouco e fiquem feios..."